Elevador despenca em condomínio de luxo no Altiplano e revela histórico de denúncias contra construtora
Moradores já haviam acionado a Justiça por falhas estruturais e problemas recorrentes nos elevadores; acidente deixou mulher e duas crianças feridas em João Pessoa
O desabamento de um elevador em um condomínio residencial de alto padrão no bairro do Altiplano, em João Pessoa, reacendeu denúncias antigas sobre supostas falhas estruturais no empreendimento e problemas recorrentes nos sistemas de elevação. O acidente ocorreu no fim da tarde desta quarta-feira (13) e deixou uma mulher e duas crianças feridas após a cabine despencar do terceiro andar do edifício.
Documentos obtidos pela imprensa revelam que o condomínio já havia acionado judicialmente a construtora GGP, apontando “vícios estruturais nos elevadores” mesmo após a entrega do empreendimento, ocorrida em setembro de 2023. A ação tramita na 7ª Vara Cível da Capital e cita episódios anteriores envolvendo incêndio em fosso de elevador, quedas abruptas, travamentos constantes, falhas em sistemas de segurança e interrupções frequentes no funcionamento dos equipamentos.
Na decisão proferida em janeiro de 2025, favorável ao condomínio, o magistrado responsável pelo caso destacou que os documentos anexados demonstravam falhas recorrentes e risco potencial de acidentes graves ou até fatais. A Justiça determinou a substituição integral dos elevadores, porém a construtora recorreu da decisão e o processo segue em tramitação no Judiciário paraibano.
Além das denúncias judiciais, um laudo técnico elaborado entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026 apontou diversas inconformidades no elevador do Bloco B — justamente o equipamento envolvido no acidente desta quarta-feira. Entre os problemas identificados estão ausência de sinalização de segurança, falta de iluminação de emergência, falhas no aterramento elétrico, inexistência de dispositivos de resgate emergencial e deficiência na ventilação da casa de máquinas.
O documento técnico também classificou como prioridade “alta” a situação da máquina de tração do elevador, apontando que o equipamento “não atende à capacidade de peso de toda a estrutura e não atende às normas de segurança”. O laudo recomendou a substituição completa do sistema.
No momento da queda, estavam dentro da cabine uma mulher e duas crianças. Após o impacto, as vítimas ficaram presas no fosso do elevador até serem retiradas por moradores do condomínio, que iniciaram o resgate antes da chegada das equipes de socorro. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e o Corpo de Bombeiros foram acionados para atender a ocorrência.
Segundo relatos de moradores, a mulher apresentava ferimentos e fortes dores pelo corpo após o acidente. De acordo com informações recentes, há suspeita de trauma na medula. Ela foi encaminhada ao Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa, onde permanece internada em estado estável. As duas crianças sofreram escoriações leves e também receberam atendimento médico.
Em nota, a administração do condomínio informou que a prioridade, neste momento, é prestar assistência às vítimas e às famílias afetadas. O condomínio reforçou ainda que os problemas técnicos nos elevadores vêm sendo registrados desde a entrega do empreendimento e afirmou ter recorrido à Justiça diante da ausência de solução definitiva por parte da construtora.
A construtora GGP, por sua vez, declarou que a responsabilidade pela manutenção dos equipamentos de uso comum, incluindo os elevadores, é do condomínio após o início da utilização regular pelos moradores. A empresa afirmou ainda que permanece à disposição das autoridades e da administração condominial para colaborar com as investigações. Sobre as denúncias de falhas estruturais e o processo judicial em andamento, a construtora não se pronunciou até a última atualização do caso.
O acidente deve intensificar as investigações sobre as condições estruturais do empreendimento e poderá ampliar a discussão sobre responsabilidade técnica e manutenção preventiva em condomínios residenciais da capital paraibana.

