Delegado da Polícia Civil é preso em operação que apura vazamento de informações para o tráfico na Paraíba
Investigação aponta envolvimento de agentes públicos com organização criminosa e bloqueia cerca de R$ 10 milhões dos suspeitos
A prisão de um delegado da Polícia Civil da Paraíba durante uma operação contra o tráfico de drogas, realizada na manhã desta terça-feira (2), em João Pessoa, trouxe à tona suspeitas de infiltração criminosa dentro das forças de segurança do Estado. A ação, denominada Operação Perfídia, investiga um esquema que teria contado com a participação de agentes públicos no repasse de informações sigilosas para integrantes de uma organização criminosa.
Entre os presos está Braz Morroni de Paiva Júnior, titular da Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (DCCPAT). Com mais de duas décadas de atuação na Polícia Civil, o delegado ingressou na corporação em 2004 e acumulou passagens por unidades policiais em cidades como Cuité, Itabaiana e Campina Grande. Também atuou na Delegacia de Repressão a Entorpecentes antes de assumir a DCCPAT, em 2019.
Segundo as investigações, o grupo criminoso utilizava informações privilegiadas sobre imóveis, veículos e operações policiais para favorecer atividades ligadas ao tráfico de drogas. A Polícia Civil apura ainda possíveis práticas de corrupção e desvios de conduta por parte dos envolvidos. O nome da operação faz referência ao significado da palavra “perfídia”, associada à traição e à deslealdade.
Além do delegado, foram presos os agentes Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como “Bomba” ou “Bombado”, apontado como elo entre policiais e traficantes, e Eduardo Jorge Ferreira do Egito, o “Mão Branca”, suspeito de participar diretamente da subtração e ocultação de drogas. Outros seis investigados também foram alvos de mandados de prisão expedidos pela Justiça.
Ao todo, a Operação Perfídia cumpre nove mandados de prisão e 24 mandados de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 10 milhões em bens e valores dos investigados. Até a publicação desta matéria, as defesas dos suspeitos não haviam sido localizadas para comentar as acusações.

