Justiça remarca depoimento de acusado de mandar matar casal de idosos em Sapé
Audiência do caso será retomada na próxima segunda-feira; filho das vítimas também deve ser ouvido
A Justiça da Paraíba remarcou para a próxima segunda-feira (1º), às 9h, o depoimento de Ailton Nascimento, apontado pela Polícia Civil como mandante do assassinato do casal de idosos Nelson e Célia Honorato, em Sapé, na Zona da Mata paraibana. O interrogatório do acusado estava previsto para ocorrer nesta quarta-feira (27), durante a segunda audiência de instrução do processo, mas apenas algumas testemunhas foram ouvidas ao longo da sessão.
Segundo informações da 1ª Vara Mista da Comarca de Sapé, além de Ailton, os demais réus envolvidos no caso também deverão prestar depoimento na retomada da audiência. Há ainda expectativa para o testemunho do filho do casal, um jovem autista de 27 anos que sobreviveu a uma tentativa de homicídio dias após o desaparecimento dos pais.
O crime, que chocou a população paraibana pela brutalidade, teria sido motivado pela intenção de tomar posse do imóvel das vítimas. De acordo com as investigações, Ailton se apresentava falsamente como corretor de imóveis e conquistou a confiança do casal, que planejava vender a residência em Sapé para se mudar para João Pessoa. A Polícia Civil afirma que o acusado articulou o assassinato para ficar com a propriedade.
As investigações apontam que, no dia 18 de agosto de 2025, Ailton chegou à casa acompanhado de Nicolas Jefferson, de 19 anos, suspeito de executar o casal. Nelson Honorato teria sido atacado com diversos golpes de martelo durante uma suposta vistoria no imóvel. Horas depois, Célia Honorato, que havia saído para uma consulta médica, foi atraída aos fundos da residência e também assassinada. O filho do casal permaneceu trancado em um quarto durante a execução do crime.
Após os assassinatos, os corpos foram levados para uma área de mata em Sapé, onde acabaram enterrados enrolados em cobertores. Em setembro de 2025, o Instituto de Polícia Científica (IPC) confirmou que os restos mortais encontrados no local pertenciam ao casal desaparecido. Nicolas Jefferson foi preso e confessou participação no crime, apontando Ailton como mentor da ação criminosa.
O caso ganhou novos desdobramentos quando a polícia revelou que o filho das vítimas também teria sido alvo de uma tentativa de execução. O jovem foi levado para uma área de mata sob o pretexto de visitar os pais em um hospital, mas acabou agredido com marteladas. Mesmo ferido, conseguiu sobreviver após fingir estar desacordado, sendo encontrado ensanguentado por policiais militares durante uma ronda na região.
Ailton Nascimento foi preso no dia 26 de agosto de 2025, dentro de um ônibus interceptado pela Polícia Rodoviária Federal em Jaguaquara, na Bahia. Além de responder pelas mortes do casal e pela tentativa de homicídio do filho das vítimas, ele também é investigado pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis da Paraíba (Creci-PB) por exercer ilegalmente a profissão de corretor. Segundo a polícia, após o crime, o acusado chegou a vender a casa das vítimas utilizando uma procuração assinada pelos idosos antes dos assassinatos.

