Publicação após eleição leva Eduarda Campopiano ao Ministério Público por fala sobre Erika Hilton
Deputada estadual eleita pelo PL é alvo de representação apresentada por Sofia Favero; postagem nas redes sociais motivou pedido de investigação
Uma publicação feita nas redes sociais após o resultado das eleições de 2026 colocou a deputada estadual eleita Eduarda Campopiano (PL) no centro de uma representação apresentada ao Ministério Público de São Paulo (MPSP). A parlamentar é acusada de transfobia e violência política de gênero contra a deputada federal reeleita Erika Hilton (PSOL), após fazer uma referência à identidade de gênero da parlamentar.
A representação foi protocolada na segunda-feira (5) pela deputada estadual eleita Sofia Favero (PSOL) junto ao Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância do MPSP. O documento questiona uma publicação na qual Campopiano se referiu a Erika Hilton como “homem biológico” e relacionou a afirmação ao desempenho eleitoral das duas políticas.
Na postagem, Campopiano questionou Erika sobre “como é saber que um homem biológico nunca vai ocupar o espaço da mulher mais votada de São Paulo”. A manifestação ocorreu após a divulgação dos resultados das eleições, nas quais Campopiano conquistou 1.956.238 votos para a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), enquanto Erika Hilton foi reeleita para a Câmara dos Deputados com 1.596.472 votos.
Para Sofia Favero, a declaração pode caracterizar transfobia, injúria transfóbica e violência política de gênero. A representação solicita que o Ministério Público apure o caso e, se forem identificadas infrações, adote as medidas cabíveis. A avaliação sobre eventual responsabilização dependerá da análise das autoridades competentes.
O episódio ocorre em meio à ascensão eleitoral de Campopiano, que, aos 23 anos, obteve a maior votação entre os candidatos a deputado estadual em São Paulo. Natural de Campinas, ela ganhou visibilidade política nas redes sociais a partir de 2021 e, em 2023, passou a atuar como comentarista do programa Linha de Frente, da Jovem Pan.
Antes de chegar à Alesp, Campopiano foi eleita vereadora de Praia Grande, no litoral paulista, em 2024, com 3.589 votos. Filiada ao PL, a política mantém posicionamentos públicos contrários a pautas e grupos de esquerda, além de defender a criminalização do aborto. Ela também se identifica publicamente como “inimiga número um das feministas”.
Em 2025, Campopiano apresentou um projeto de lei que propõe restringir a nomeação ou contratação, para determinados cargos e empregos públicos, de pessoas condenadas por crimes sexuais contra crianças ou adolescentes. Procurados para comentar a representação, Campopiano, Erika Hilton e o MPSP não haviam se manifestado até o momento da publicação. O espaço permanece aberto para posicionamentos.
