Polícia aponta retaliação entre facções em série de decapitações na Grande João Pessoa
Investigação começou em agosto e já resultou em duas prisões; Polícia Civil apura participação de grupos rivais nos crimes
Uma série de decapitações registradas na Grande João Pessoa em menos de um mês estaria relacionada a uma disputa territorial e a ações de retaliação entre facções criminosas rivais, segundo a Polícia Civil da Paraíba. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (17), durante coletiva de imprensa sobre as investigações dos casos registrados em João Pessoa e Bayeux.
De acordo com o delegado Cristiano Santana, superintendente da Polícia Civil, os três episódios investigados envolvem vítimas ligadas a grupos distintos e podem representar tentativas de demonstração de domínio em áreas onde as organizações criminosas buscam se estabelecer. Segundo ele, as prisões realizadas e outras que possam ocorrer são consideradas importantes para conter a sequência de crimes.
Até o momento, duas pessoas foram presas por suspeita de envolvimento nas ocorrências. Conforme informado pela Polícia Civil, os dois presos pertencem à mesma facção. As investigações continuam para identificar outros possíveis participantes e esclarecer a dinâmica dos crimes.
As apurações tiveram início em 17 de agosto, quando uma cabeça humana foi encontrada no bairro Colinas do Sul, na Zona Sul de João Pessoa. A vítima foi identificada como Anderson Diego, mas o corpo ainda não havia sido localizado até a divulgação das informações. Equipes policiais, com apoio do Corpo de Bombeiros, realizam buscas a partir de denúncias que possam indicar o local onde os restos mortais estão.
Outro episódio ocorreu no domingo (13), quando uma cabeça humana foi encontrada em uma área de mata no bairro de Gramame. O caso aconteceu um dia depois da violação de um túmulo no Cemitério São José, em Cruz das Armas. Segundo a Polícia Civil, o corpo de Jonailton José Venâncio teria sido retirado da sepultura, carbonizado e decapitado.
A identificação da cabeça encontrada em Gramame depende de exames realizados pelo Instituto de Polícia Científica da Paraíba (IPC-PB). O material foi encontrado dentro de um saco e apresentava sinais que dificultavam o reconhecimento imediato. A perícia também é responsável por auxiliar na identificação das vítimas dos demais casos.
Na noite de terça-feira (15), uma cabeça humana foi encontrada dentro de uma mochila na comunidade Saturnino de Brito, no bairro do Varadouro. Segundo a Polícia Militar, suspeitos que estavam em uma motocicleta teriam lançado a mochila do alto de um barranco, na Avenida Nina Lima. A Polícia Civil investiga se o material pertence a um jovem que estava desaparecido em Bayeux.
No dia seguinte, quarta-feira (16), um corpo sem cabeça foi localizado nas proximidades da Ponte do Baralho, entre João Pessoa e Bayeux. A Polícia Civil passou a investigar se os restos mortais correspondem à cabeça encontrada na mochila no dia anterior, enquanto os exames periciais devem auxiliar na confirmação da identidade.
A Polícia Civil informou que as equipes responsáveis pelos casos continuam realizando diligências para localizar outros envolvidos e esclarecer a relação entre as ocorrências. A investigação também busca determinar a participação de cada grupo nos episódios e identificar possíveis novos suspeitos.
