Adolescente de 17 anos é apreendido suspeito de nove homicídios no Vale do Mamanguape
Polícia Civil aponta jovem como integrante de grupo ligado a Jorlan Lopes da Silva, preso após operação que investiga série de assassinatos na região
Um adolescente de 17 anos, suspeito de envolvimento em nove homicídios no Vale do Mamanguape, na Paraíba, foi apreendido nesta sexta-feira (18), em Cabedelo, no Litoral do estado. Segundo a Polícia Civil, o jovem seria o “braço direito” de Jorlan Lopes da Silva, homem preso no último domingo (13), em Mulungu, e investigado por diversos assassinatos na região.
Entre os crimes atribuídos ao adolescente está a morte de um jovem ocorrida no último dia 12, na Praça da Juventude, em Mamanguape, durante a concentração de um evento político. Na ocasião, havia uma aglomeração de pessoas para uma atividade da qual participariam o deputado federal e presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), e o prefeito de Mamanguape, Joaquim Fernandes (PSB). A Polícia Civil informou, porém, que o homicídio estaria relacionado a uma disputa entre facções criminosas e não teria ligação com o evento político.
A apreensão ocorreu durante uma operação conjunta da Polícia Civil e da Polícia Militar. Contra o adolescente havia um mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça da Paraíba. Durante a mesma ação, outros dois homens, também suspeitos de envolvimento em crimes na região, foram presos em uma abordagem realizada no município de Mulungu.
De acordo com o delegado Marcos Paulo Sales, os três suspeitos teriam ligação com a mesma facção criminosa, que atua na região. As investigações buscam esclarecer a participação de cada um dos envolvidos nos crimes atribuídos ao grupo.
A operação também está relacionada à prisão de Jorlan Lopes da Silva, cuja fuga terminou em Mulungu após cerca de 48 horas de buscas. Segundo a Polícia Civil, ele chegou a passar por policiais usando vestido, peruca, sandálias femininas, óculos escuros e unhas pintadas. Conforme relato do delegado Douglas Garcia, uma tatuagem teria contribuído para a identificação do suspeito depois que a roupa se deslocou durante a fuga.
Após ser preso, Jorlan afirmou durante depoimento ter cometido cerca de 80 homicídios ao longo da vida. A Polícia Civil informou que está confrontando a declaração com investigações em andamento, provas técnicas e registros oficiais de homicídios. “É um número muito expressivo. Nós acreditamos que, se não for esse número, é algo muito próximo disso”, afirmou o delegado Douglas Garcia.
A Polícia Civil também informou que Jorlan teria retornado à residência onde estava, pegado um revólver e deixado uma criança que estava com ele antes de fugir. Até a publicação da matéria, as autoridades não haviam informado como a criança foi parar sob os cuidados do suspeito nem se ela recebeu atendimento médico após ser localizada. Segundo a polícia, a criança não era parente de Jorlan.
Após passar por audiência de custódia, Jorlan foi encaminhado para o Presídio Sílvio Porto, em João Pessoa, conforme informou o delegado Douglas Garcia. As investigações continuam para verificar a participação dos suspeitos nos homicídios e confrontar as informações apresentadas durante os depoimentos com os elementos reunidos pela polícia.
