Quinta, 15 de Outubro de 2026
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Nacional Tráfico de drogas

Polícia revisará homicídios sem autoria definida após suspeito afirmar ter matado 80 pessoas na Paraíba

Jorlan Lopes da Silva, de 33 anos, já é relacionado a 16 mortes investigadas no Vale do Mamanguape; declaração sobre outras dezenas de crimes ainda é apurada

Por J.C Martins
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José Carlos Martins Júnior

J.C Martins

ararinhabruh@gmail.com
João Pessoa-PB

| 15/10/2026 15:12
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A Polícia Civil da Paraíba vai revisar inquéritos de homicídios que permanecem sem autoria definida para verificar se existem elementos que possam relacionar Jorlan Lopes da Silva, de 33 anos, aos crimes. A medida ocorre após o suspeito afirmar, durante interrogatório, que teria cometido cerca de 80 assassinatos ao longo da vida. A declaração ainda não é considerada oficialmente pela investigação, que confronta o relato com provas técnicas e informações reunidas nos casos.

Segundo o delegado Douglas Garcia, responsável pela investigação, a polícia já possui elementos que relacionam Jorlan a 16 homicídios cometidos em aproximadamente três meses na região do Vale do Mamanguape. A revisão dos inquéritos deverá indicar se há outros casos nos quais possam existir evidências de participação do suspeito. Qualquer nova atribuição dependerá, porém, da existência de elementos que estabeleçam vínculo entre Jorlan e cada crime.

“Nós iremos fazer uma revisão nos inquéritos que estão sem autoria e analisar as informações, a fim de identificar elementos que possam recair sob Jorlan”, afirmou Douglas Garcia. A Polícia Civil também está confrontando as informações fornecidas pelo investigado com provas técnicas, registros de ocorrências e outros dados das investigações.

Durante o interrogatório, Jorlan declarou ter cometido aproximadamente 80 homicídios e afirmou que teria praticado o primeiro assassinato ainda na adolescência. De acordo com o delegado, a polícia considera a possibilidade de que o número informado pelo suspeito possa ter alguma correspondência com outros crimes, mas a quantidade ainda precisa ser comprovada por meio das investigações.

A investigação também apura uma possível ligação de Jorlan com uma facção criminosa originária do Rio de Janeiro e com atuação na Paraíba. Segundo a Polícia Civil, após fugir de um confronto em Rio Tinto, o suspeito teria se escondido em uma comunidade de Cabedelo, na Região Metropolitana de João Pessoa, apontada pelos investigadores como área relacionada à organização.

A partir de um trabalho de inteligência, os policiais localizaram o imóvel onde Jorlan estaria escondido e passaram a acompanhar os deslocamentos do grupo. O suspeito teria deixado Cabedelo em direção a Mulungu acompanhado de outros integrantes. Com apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF), os investigadores identificaram o veículo utilizado pelo grupo e conseguiram prender um dos envolvidos durante uma abordagem.

Jorlan, no entanto, conseguiu fugir e permaneceu foragido por aproximadamente 48 horas. A fuga terminou em Mulungu, no Agreste paraibano, no domingo (13), quando ele foi localizado usando vestido, peruca, sandálias femininas, óculos escuros e unhas pintadas. O suspeito também carregava uma criança que, segundo a polícia, não era sua parente.

Conforme o relato apresentado pelo delegado, Jorlan teria retornado ao imóvel onde estava escondido, pegado um revólver e deixado a criança. Durante a nova tentativa de fuga, porém, o vestido teria se deslocado e uma tatuagem permitiu que os policiais identificassem o suspeito. A Polícia Civil ainda investiga as circunstâncias pelas quais a criança estava sob os cuidados dele.

A prisão ocorreu após uma operação que contou com a participação de diferentes forças de segurança. Outros dois homens, também suspeitos de envolvimento em crimes na região, foram presos durante a ação em Mulungu. Segundo o delegado Marcos Paulo Sales, os três investigados teriam ligação com a mesma organização criminosa.

Jorlan foi encaminhado ao Presídio Sílvio Porto, em João Pessoa, após passar por audiência de custódia, conforme informou Douglas Garcia. A investigação sobre os 16 homicídios já relacionados ao suspeito continua, enquanto a Polícia Civil deverá analisar os demais inquéritos sem autoria definida para verificar se existem elementos que possam confirmar ou descartar qualquer ligação com os crimes.

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