Quinta, 15 de Outubro de 2026
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Nacional Dark Horse

Investigação sobre filme de Bolsonaro cita suspeita de elo com o PCC

Documentos analisados no caso apontam suposta ligação de empresário investigado com facção criminosa; envolvidos negam irregularidades

Por J.C Martins
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José Carlos Martins Júnior

J.C Martins

ararinhabruh@gmail.com
João Pessoa-PB

| 15/10/2026 14:20
Foto:
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As investigações sobre o possível direcionamento de recursos públicos para o financiamento de Dark Horse, filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), alcançaram empresas e pessoas relacionadas a contratos e subcontratações com o poder público. Entre os nomes citados nos documentos está o empresário Alex Leandro Bispo dos Santos, apontado pelas autoridades como controlador da Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda., empresa subcontratada pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB) para executar serviços de instalação de pontos de internet gratuita em São Paulo. Documentos do caso também mencionam uma suposta ligação de Alex com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

A relação com o PCC aparece em decisões recentes do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator das investigações sobre desvios de emendas parlamentares. Segundo Dino, documentos encaminhados pela Justiça paulista indicariam uma possível conexão entre o esquema investigado e integrantes da facção criminosa. Alex é citado nesse contexto. A defesa do empresário, no entanto, nega que ele faça parte do PCC ou de qualquer organização criminosa.

A suspeita sobre Alex é anterior às investigações relacionadas ao filme. Ela surgiu durante uma apuração da Polícia Civil de São Paulo sobre o feminicídio de sua ex-companheira, ocorrido em novembro de 2025. Em um áudio registrado por um vizinho durante uma discussão entre os dois, o empresário teria afirmado possuir um “escorpião do PCC”. Investigadores também analisaram tatuagens de Alex e atribuíram possíveis significados relacionados à facção. O Ministério Público utilizou o episódio em manifestações judiciais, mas ressaltou posteriormente que a efetiva vinculação do empresário ao PCC dependeria da análise do conjunto de provas.

Alex chegou a ser preso preventivamente no processo do feminicídio, mas foi solto em agosto após a revogação da prisão durante uma audiência de instrução. Posteriormente, a Justiça decretou novamente sua prisão preventiva. Segundo a polícia, ele não foi localizado desde então e é considerado foragido. A defesa confirmou a situação e reiterou que o empresário, conforme declarado nos autos, não integra o PCC ou qualquer outra organização criminosa.

A empresa ligada a Alex foi subcontratada pelo Instituto Conhecer Brasil para atuar no projeto WiFi Livre SP, cujo contrato com a Prefeitura de São Paulo tinha valor global de R$ 12 milhões. De acordo com documentos da investigação, mais de R$ 2 milhões haviam sido repassados à empresa até dezembro de 2025. Os investigadores também questionaram mudanças societárias ocorridas após a prisão de Alex e levantaram a hipótese de que a alteração pudesse ter sido utilizada para ocultar os responsáveis pelo controle da companhia.

Paralelamente, a Polícia Federal investiga a origem de recursos destinados a Dark Horse, em uma apuração que envolve o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho de Jair Bolsonaro e produtor-executivo do longa. Conversas entre Flávio e Vorcaro sobre a liberação de dinheiro para a produção levaram a PF a solicitar a abertura de investigação. O caso passou a apurar possíveis crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção, entre outros delitos.

O Instituto Conhecer Brasil é comandado por Karina Ferreira da Gama, que também é proprietária da produtora Go Up, responsável por Dark Horse. Karina foi alvo da Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal para investigar suspeitas de desvios de emendas parlamentares e a possibilidade de utilização de parte desses recursos no financiamento do filme. Em entrevista à CNN Brasil, ela negou que a produção tenha recebido dinheiro de emendas parlamentares e relatou ter sido alvo de ameaças.

A apuração sobre o filme ganhou novos contornos após decisões judiciais que retiraram o sigilo de documentos relacionados ao caso Master. Flávio Bolsonaro nega irregularidades e afirma que não houve utilização de dinheiro público na produção de Dark Horse. As investigações permanecem em andamento, e as suspeitas sobre o financiamento do longa, os contratos públicos e uma eventual conexão entre os envolvidos ainda dependem da conclusão das autoridades e da análise das provas.

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