Operação Norte-Americana na Venezuela Pode Trazer Impactos Limitados no Mercado de Petróleo
Ação dos EUA na Venezuela tende a pressionar preços para baixo no médio prazo
A prisão de Nicolás Maduro após uma operação dos Estados Unidos na Venezuela deve gerar efeitos contidos e temporários sobre o mercado internacional de petróleo, segundo especialistas, com possibilidade de queda nos preços futuros diante de expectativas de aumento da oferta.
Apesar de a Venezuela deter a maior reserva petrolífera do mundo, estimada em cerca de 300 bilhões de barris, sua produção atual é considerada baixa. O país produz entre 800 mil e 900 mil barris por dia, volume muito inferior ao de grandes produtores, como a Arábia Saudita, que mantém cerca de 9 milhões de barris diários. Esse desempenho limitado decorre da deterioração da infraestrutura e das operações da estatal PDVSA.
De acordo com analistas do setor, a tendência é de reação baixista nos preços do petróleo, não pela produção atual venezuelana, mas pela expectativa de entrada de empresas norte-americanas no setor. Caso essa ampliação da oferta se concretize no médio e longo prazo, os preços podem sofrer nova pressão, em um mercado que já vinha em queda, com recuos expressivos do WTI e do Brent em 2025.
O episódio também se insere no histórico conturbado das relações entre Estados Unidos e Venezuela no setor energético, marcado por sanções, retomadas pontuais de compras e parcerias limitadas, como as joint ventures entre a PDVSA e a Chevron. A combinação de infraestrutura existente e experiência de petroleiras americanas na região pode facilitar uma eventual expansão da produção, dependendo da evolução do cenário político venezuelano.