Sexta, 05 de Junho de 2026
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Polícia Braz Morroni

Decisão judicial aponta que delegado preso na Operação Perfidus teria recebido valores ligados ao tráfico dentro de delegacia

Investigação apura suposto esquema de desvio de drogas, repasse de dinheiro ilícito e participação de agentes públicos em organização criminosa na Paraíba

Por J.C Martins
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José Carlos Martins Júnior

J.C Martins

ararinhabruh@gmail.com
João Pessoa-PB

| 05/06/2026 13:34
Foto: Reprodução
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Uma decisão da Justiça da Paraíba que fundamentou a deflagração da Operação Perfidus aponta que o delegado Braz Morroni, preso durante a ação, teria recebido valores oriundos da venda ilegal de drogas desviadas após operações policiais. Segundo os autos, parte do dinheiro teria sido entregue dentro de uma unidade policial e estaria relacionada a um suposto esquema de desvio e revenda de entorpecentes que envolveria integrantes da Polícia Civil e membros de uma organização criminosa.

De acordo com o documento judicial, um dos investigadores presos, Everton Rychelyson da Silva Aires, teria manifestado insatisfação com cobranças relacionadas à comercialização dos entorpecentes desviados e discutido a possibilidade de omitir uma negociação no valor de R$ 18 mil. Conforme a investigação, o objetivo seria reter a parcela que seria destinada ao delegado e reinvestir os recursos obtidos no tráfico. A decisão afirma ainda que, dias depois, Braz Morroni teria comparecido pessoalmente à delegacia para recolher sua suposta parte dos valores.

Outro investigador citado nos autos é Eduardo Jorge Ferreira do Egito, conhecido como “Mão Branca”. Conforme a investigação, ele teria mantido contato com Everton sobre a movimentação das drogas desviadas. Entre os elementos reunidos pela apuração estão transferências financeiras atribuídas a integrantes do grupo para contas ligadas ao delegado, além de conversas interceptadas que, segundo a Polícia Civil, indicariam reserva de parte dos lucros obtidos com o comércio ilegal de entorpecentes.

A investigação sustenta ainda que o delegado utilizaria sua posição hierárquica para exercer influência dentro da corporação, garantindo proteção institucional ao esquema e cobrando agilidade na recuperação de valores decorrentes da venda de drogas realizadas a prazo. As acusações integram o conjunto probatório que embasou os pedidos de prisão e de busca e apreensão autorizados pela Justiça.

Em resposta a este cenário, a defesa de Braz Morroni contestou as acusações e afirmou que a decisão judicial está baseada exclusivamente em relatórios policiais sustentados por conversas indiretas entre investigados. Segundo os advogados, não existe diálogo direto envolvendo o delegado nos materiais apresentados até o momento e houve ausência de individualização das condutas atribuídas a cada investigado.

A defesa também declarou que o delegado estaria sendo preso e acusado antes de exercer plenamente o contraditório e a ampla defesa, além de repudiar conclusões baseadas apenas em declarações de terceiros. Os advogados afirmaram confiar que, ao longo da investigação, os fatos serão esclarecidos e que a inocência do investigado será demonstrada. Já a defesa dos demais agentes informou que se manifestaria posteriormente sobre o caso.

Deflagrada na terça-feira (2), a Operação Perfidus investiga uma organização criminosa suspeita de atuar com tráfico de drogas, corrupção e vazamento de informações sigilosas. Ao todo, foram cumpridos nove mandados de prisão e 24 de busca e apreensão, além do bloqueio de aproximadamente R$ 10 milhões em contas dos investigados. Segundo a Polícia Civil, o nome da operação faz referência à ideia de traição e deslealdade atribuída à atuação do grupo investigado.

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