Decisão judicial aponta que delegado preso na Operação Perfidus teria recebido valores ligados ao tráfico dentro de delegacia
Investigação apura suposto esquema de desvio de drogas, repasse de dinheiro ilícito e participação de agentes públicos em organização criminosa na Paraíba
Uma decisão da Justiça da Paraíba que fundamentou a deflagração da Operação Perfidus aponta que o delegado Braz Morroni, preso durante a ação, teria recebido valores oriundos da venda ilegal de drogas desviadas após operações policiais. Segundo os autos, parte do dinheiro teria sido entregue dentro de uma unidade policial e estaria relacionada a um suposto esquema de desvio e revenda de entorpecentes que envolveria integrantes da Polícia Civil e membros de uma organização criminosa.
De acordo com o documento judicial, um dos investigadores presos, Everton Rychelyson da Silva Aires, teria manifestado insatisfação com cobranças relacionadas à comercialização dos entorpecentes desviados e discutido a possibilidade de omitir uma negociação no valor de R$ 18 mil. Conforme a investigação, o objetivo seria reter a parcela que seria destinada ao delegado e reinvestir os recursos obtidos no tráfico. A decisão afirma ainda que, dias depois, Braz Morroni teria comparecido pessoalmente à delegacia para recolher sua suposta parte dos valores.
Outro investigador citado nos autos é Eduardo Jorge Ferreira do Egito, conhecido como “Mão Branca”. Conforme a investigação, ele teria mantido contato com Everton sobre a movimentação das drogas desviadas. Entre os elementos reunidos pela apuração estão transferências financeiras atribuídas a integrantes do grupo para contas ligadas ao delegado, além de conversas interceptadas que, segundo a Polícia Civil, indicariam reserva de parte dos lucros obtidos com o comércio ilegal de entorpecentes.
A investigação sustenta ainda que o delegado utilizaria sua posição hierárquica para exercer influência dentro da corporação, garantindo proteção institucional ao esquema e cobrando agilidade na recuperação de valores decorrentes da venda de drogas realizadas a prazo. As acusações integram o conjunto probatório que embasou os pedidos de prisão e de busca e apreensão autorizados pela Justiça.
Em resposta a este cenário, a defesa de Braz Morroni contestou as acusações e afirmou que a decisão judicial está baseada exclusivamente em relatórios policiais sustentados por conversas indiretas entre investigados. Segundo os advogados, não existe diálogo direto envolvendo o delegado nos materiais apresentados até o momento e houve ausência de individualização das condutas atribuídas a cada investigado.
A defesa também declarou que o delegado estaria sendo preso e acusado antes de exercer plenamente o contraditório e a ampla defesa, além de repudiar conclusões baseadas apenas em declarações de terceiros. Os advogados afirmaram confiar que, ao longo da investigação, os fatos serão esclarecidos e que a inocência do investigado será demonstrada. Já a defesa dos demais agentes informou que se manifestaria posteriormente sobre o caso.
Deflagrada na terça-feira (2), a Operação Perfidus investiga uma organização criminosa suspeita de atuar com tráfico de drogas, corrupção e vazamento de informações sigilosas. Ao todo, foram cumpridos nove mandados de prisão e 24 de busca e apreensão, além do bloqueio de aproximadamente R$ 10 milhões em contas dos investigados. Segundo a Polícia Civil, o nome da operação faz referência à ideia de traição e deslealdade atribuída à atuação do grupo investigado.

