Maioria democrata no Congresso dos EUA pode limitar poder de Trump, mas não deve beneficiar o Brasil
Especialistas avaliam que mudança no Legislativo americano pode ampliar a fiscalização sobre o presidente, sem garantir redução de tarifas comerciais impostas ao país.
Uma eventual maioria democrata na Câmara dos Representantes e no Senado dos Estados Unidos poderá impor limites à atuação do presidente Donald Trump e alterar os rumos da política externa americana. Entretanto, uma mudança no equilíbrio político de Washington não deve resultar em alívio tarifário para o Brasil, segundo avaliação do professor Leonardo Trevisan, durante participação no programa UOL News, do Canal UOL.
De acordo com Trevisan, a mudança no comando de comissões estratégicas do Senado poderá fortalecer a fiscalização sobre a Casa Branca. Entre os principais instrumentos está a Comissão de Relações Exteriores, que pode convocar integrantes do governo e exercer influência sobre decisões da administração federal.
Apesar da possibilidade de maior controle político, o professor ressaltou que os interesses comerciais dos Estados Unidos devem continuar sendo priorizados. Como exemplo, citou as restrições ao aço e destacou que as cotas comerciais foram estabelecidas durante o governo de Joe Biden e posteriormente agravadas por Trump. Para Trevisan, os democratas também mantêm uma tradição de protecionismo econômico.
Diretamente de Washington, a colunista Mariana Sanches afirmou que uma eventual perda das maiorias republicanas nas duas casas legislativas poderá reduzir significativamente a margem de atuação de Trump. Segundo ela, decisões relacionadas ao orçamento, ao comércio e a conflitos internacionais dependem da participação do Congresso, que exerce papel central no sistema político americano.
Sanches também destacou que a inflação e os juros elevados nos Estados Unidos têm colocado o custo de vida entre as principais preocupações dos eleitores. Esse cenário econômico poderá influenciar os resultados eleitorais e contribuir para limitar o poder do presidente durante o restante do mandato.
