Congresso remove Jose Jeri após apenas quatro meses e mantém ciclo de instabilidade institucional
Crise Política se Agrava no Peru com Nova Destituição Presidencial
Em mais um capítulo de forte instabilidade política, o Congresso do Peru destituiu nesta terça-feira (17) o presidente Jose Jeri, que estava no cargo havia apenas quatro meses. A decisão reforça o cenário de sucessivas trocas no comando do país andino, que vive um dos períodos mais turbulentos de sua história recente.
A queda de Jeri está relacionada a um escândalo envolvendo reuniões não divulgadas com um empresário chinês, episódio que ficou conhecido como “Chifagate”. O caso veio à tona após o presidente ser filmado entrando, à noite e usando capuz, em um restaurante para se encontrar com Zhihua Yang, empresário com interesses no setor de energia no Peru.
A destituição foi aprovada por ampla maioria: 75 parlamentares votaram a favor da censura, 24 contra e três se abstiveram. Com isso, Jeri tornou-se o terceiro presidente consecutivo do Peru a ser removido do cargo, evidenciando a fragilidade do sistema político nacional.
Segundo a Reuters, o Peru teve oito presidentes nos últimos oito anos, um dado que ilustra a recorrência de crises institucionais e a dificuldade de governabilidade enfrentada pelo país.
Jeri havia assumido a Presidência em outubro, após o Congresso destituir por unanimidade sua antecessora, Dina Boluarte, em meio a denúncias de corrupção e ao aumento da insatisfação popular com a criminalidade. Como Boluarte não tinha vice-presidente, Jeri, então presidente do Congresso, era o próximo na linha sucessória.
Diferentemente de um processo de impeachment — que exigiria 87 votos em um Legislativo de 130 membros —, os parlamentares optaram pela censura, mecanismo que retira o cargo de presidente do Congresso com maioria simples e, consequentemente, o afasta da chefia do Executivo.
Após a votação, Jeri declarou que respeitaria a decisão do Parlamento. No entanto, o processo de sucessão enfrentou um impasse inicial: o atual presidente do Congresso, Fernando Rospigliosi, recusou-se a assumir a Presidência da República, apesar de estar constitucionalmente na linha sucessória.
Diante disso, os parlamentares deverão eleger um novo presidente do Congresso, que assumirá automaticamente o comando do país. Rospigliosi informou que os partidos têm até as 18h (horário local) para apresentar candidatos, com votação marcada para esta quarta-feira (18).
O procedimento remete à crise de 2020, quando Francisco Sagasti chegou à Presidência após ser escolhido pelo Congresso em meio a intensos protestos populares, sucedendo o breve governo de Manuel Merino, que durou apenas cinco dias.

