Terça, 17 de Março de 2026
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Política Bolsonaro

Bolsonaro pede autorização ao STF para receber assessor do governo Trump na prisão

Visita de Darren Beattie, crítico de Alexandre de Moraes, depende de aval do Supremo e ocorre em meio a tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos

Por J.C Martins
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José Carlos Martins Júnior

J.C Martins

ararinhabruh@gmail.com
João Pessoa-PB

| 17/03/2026 00:39
Foto: G1 Paraíba / Departamento de Estado dos EUA
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O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) solicitou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorização para receber na prisão a visita de Darren Beattie, assessor sênior do governo do presidente Donald Trump responsável por políticas relacionadas ao Brasil. O pedido foi encaminhado pela defesa do ex-mandatário, que cumpre pena na unidade conhecida como Papudinha, em Brasília.

Bolsonaro está preso após condenação a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. Como Moraes é o relator do processo que levou à condenação do ex-presidente, cabe ao ministro autorizar ou não visitas fora do calendário regular permitido pela Justiça.

No requerimento apresentado ao STF, os advogados de Bolsonaro pedem que a visita do assessor norte-americano seja autorizada de forma excepcional para os dias 16 ou 17 de março. Normalmente, os encontros com o ex-presidente ocorrem apenas às quartas-feiras e aos sábados.

Darren Beattie ocupa atualmente um cargo estratégico no Departamento de Estado dos Estados Unidos, sendo responsável por propor e supervisionar políticas do governo de Washington em relação ao Brasil. Ele foi nomeado para a função no mês passado e é conhecido por posições alinhadas à ala mais conservadora da política norte-americana.

Crítico do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da atuação de Moraes no processo sobre a trama golpista de 2022, Beattie já classificou o ministro do STF como “o principal arquiteto da censura e da perseguição a Bolsonaro”. Em sua descrição oficial no site do Departamento de Estado, ele é apresentado como um “defensor entusiasta da promoção ativa da liberdade de expressão como ferramenta diplomática”.

A viagem do assessor ao Brasil está prevista para ocorrer na próxima semana. Segundo fontes ligadas ao governo Trump, Beattie deverá participar, em São Paulo, de um evento sobre minerais críticos, tema considerado estratégico para a política externa e econômica dos Estados Unidos.

A visita acontece em meio a debates em Washington sobre a possibilidade de classificar facções criminosas brasileiras — como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) — como Organizações Terroristas Estrangeiras. O governo brasileiro tenta evitar essa classificação por receio de que a medida abra espaço para algum tipo de intervenção internacional.

O nome de Beattie já esteve no centro de um incidente diplomático entre Brasil e Estados Unidos. Em 2025, ele criticou publicamente a atuação de Alexandre de Moraes nas investigações envolvendo Bolsonaro e seus aliados, o que levou o Itamaraty a convocar o principal diplomata norte-americano em Brasília para prestar esclarecimentos.

Após sanções impostas pelos Estados Unidos contra Moraes — sob acusações de autorizar prisões preventivas arbitrárias e restringir a liberdade de expressão em processos ligados à tentativa de golpe — o deputado Eduardo Bolsonaro agradeceu publicamente a Beattie nas redes sociais.

A trajetória do assessor também é marcada por controvérsias. Durante o primeiro mandato de Donald Trump, Beattie atuou como redator de discursos da Casa Branca, mas foi demitido em 2018 após participar de um evento frequentado por nacionalistas brancos.

Posteriormente, ele também enfrentou acusações de racismo e sexismo por declarações nas redes sociais defendendo que “homens brancos competentes devem estar no comando para que as coisas funcionem”.

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