Sábado, 28 de Fevereiro de 2026
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Política Lei

Após Protestos Iniciados por Grupos Nativo-Indígenas, Governo Revoga Decreto que Permitiria Privatização de Rios da Amazônia

Mobilização de povos indígenas e comunidades tradicionais pressiona governo a cancelar dragagem nos rios Tapajós, Madeira e Tocantins

Por J.C Martins
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José Carlos Martins Júnior

J.C Martins

ararinhabruh@gmail.com
João Pessoa-PB

| 28/02/2026 14:59
Foto: Coletivo Apoena
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O governo federal decidiu revogar o Decreto nº 12.600/2025, que previa a inclusão de trechos de rios amazônicos no Programa Nacional de Desestatização (PND). Essa medida cancela as obras de dragagem planejadas para os rios Tapajós, Madeira e Tocantins, na Amazônia.

A decisão foi tomada após uma intensa mobilização de povos indígenas e comunidades tradicionais, que realizaram protestos e ocupações em Santarém (PA) para expressar sua preocupação com os impactos socioambientais das obras e a falta de consulta prévia às comunidades locais.

A revogação do decreto é um resultado direto da pressão exercida por esses grupos, que defendem a preservação dos rios e a proteção dos direitos das comunidades que dependem deles.

A decisão foi tomada após 33 dias de mobilização de povos indígenas e comunidades tradicionais, que realizaram atos públicos e ocupações em Santarém (PA) para contestar os impactos socioambientais das obras e a ausência de consulta prévia às comunidades locais.

O Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns celebrou a revogação, afirmando que a conquista é fruto da força coletiva dos povos indígenas, ribeirinhos e comunidades tradicionais. O ministro da Secretaria-Geral do governo Lula, Guilherme Boulos, declarou que a decisão ocorreu após reunião com os povos indígenas do Tapajós, Tocantins e Madeira.

A Secretaria-Geral da Presidência da República e o Ministério dos Povos Indígenas conduziram as negociações com as lideranças que ocupavam o porto da Cargill. A ministra Sônia Guajajara destacou a importância de considerar a questão humanitária em que se encontra o movimento.

A revogação do decreto é resultado da exigência de cumprimento da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que assegura o direito à consulta livre e informada sobre projetos em territórios tradicionais.

A Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam-Brasil) afirmou que a suspensão das intervenções reafirma a necessidade de que políticas de infraestrutura respeitem os direitos constitucionais dos povos originários.

O governo também anunciou a criação de um Grupo de Trabalho Interministerial para orientar os processos de diálogo e analisar as demandas de demarcação de terras na bacia do Tapajós.

A oficialização da revogação aguarda publicação no Diário Oficial da União.

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