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Polícia Polêmica

Um ano após mutirão oftalmológico, pacientes seguem sem respostas e convivem com sequelas na Paraíba

Casos de cegueira e complicações graves após procedimentos em Campina Grande ainda são investigados; vítimas denunciam abandono e cobram justiça

Por J.C Martins
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José Carlos Martins Júnior

J.C Martins

ararinhabruh@gmail.com
João Pessoa-PB

| 05/06/2026 15:31
Foto: Artur Lira / TV Paraíba
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Um ano após o mutirão oftalmológico realizado no Hospital de Clínicas de Campina Grande, no Agreste paraibano, pacientes afetados por complicações graves seguem aguardando respostas das autoridades. O procedimento, promovido em 15 de maio de 2025 por meio do programa Opera Paraíba, deixou dezenas de pessoas com sequelas severas, incluindo casos de cegueira irreversível. Até hoje, o inquérito policial instaurado para apurar o episódio não foi concluído.

Mais de 60 pacientes participaram do mutirão, que ofereceu aplicações intraoculares utilizadas para conter o avanço de doenças oftalmológicas. Segundo relatos das vítimas e investigações conduzidas pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB), quase metade dos atendidos apresentou complicações após os procedimentos. A contratação do serviço ocorreu por meio de licitação vencida pela Fundação Rubens Dutra Segundo, que repassou a execução à oftalmologista Naiara Cavalcante Furtado, apontada pelo MPPB como responsável direta pelas aplicações realizadas no hospital.

Entre os pacientes afetados está o aposentado Marinildo Pereira, de 60 anos. O filho dele, o programador Márcio Ferreira, relatou que o pai desenvolveu uma infecção bacteriana grave após o procedimento, evoluindo para um quadro de endoftalmite que resultou na perda definitiva da visão de um dos olhos. Segundo Márcio, mesmo após tratamento especializado realizado em João Pessoa, não foi possível recuperar a capacidade visual do paciente.

Atualmente, Marinildo enxerga apenas com o outro olho, que já apresentava comprometimentos anteriores. Márcio afirmou ainda que o pai precisou recorrer ao auxílio-doença do INSS por não conseguir trabalhar, mas o benefício foi concedido apenas temporariamente. A família cobra responsabilização dos envolvidos e afirma esperar uma resposta definitiva da Justiça diante do que considera um caso de negligência médica.

Outra vítima do mutirão é a professora Errta Riany, diagnosticada com visão monocular após o procedimento. Ela relata conviver até hoje com dores ocasionais e diz sentir abandono por parte do poder público. Segundo a paciente, os atingidos não recebem acompanhamento psicológico nem informações atualizadas sobre o andamento dos tratamentos e das investigações.

Errta também afirmou que deveria ter retornado em novembro do ano passado para a retirada de óleo de silicone aplicado em um procedimento complementar realizado no Hospital Metropolitano, em Santa Rita, mas garante que nunca foi convocada para a continuidade do atendimento. Paralelamente, ela segue realizando tratamentos oftalmológicos pela rede municipal de saúde de Campina Grande para controle de glaucoma.

Parte das vítimas ingressou com ações judiciais contra a Secretaria de Estado da Saúde da Paraíba (SES-PB) e contra a Fundação Rubens Dutra Segundo. Em nota, o empresário Robson Dutra, responsável pela fundação, declarou que todos os procedimentos foram realizados em conformidade com as normas técnicas e sanitárias exigidas pelo Ministério da Saúde. A defesa sustenta ainda que indícios técnicos apontam que as infecções teriam sido causadas por bactérias presentes nas dependências do Hospital de Clínicas.

Já a Secretaria de Estado da Saúde informou que os pacientes continuam sendo acompanhados pela rede oftalmológica credenciada, com tratamentos e avaliações realizados conforme a necessidade clínica de cada caso. A pasta acrescentou que o período inicial de acompanhamento pode ser ampliado e afirmou que os pacientes foram orientados a procurar as unidades de referência ou solicitar atendimento via regulação, sem necessidade de enfrentar filas.

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