TCU investiga suposto uso irregular de jatinhos da FAB pelo presidente da Câmara, Hugo Motta
Ministério Público pede apuração sobre possíveis desvios de finalidade em voos oficiais
O emprego de recursos estratégicos do Estado para fins supostamente privados colocou o presidente da Câmara dos Deputados no centro de uma investigação que pode ter desdobramentos políticos e administrativos relevantes.
O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU) solicitou a abertura de investigação para apurar possível desvio de finalidade no uso de aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos). A medida busca esclarecer se houve afronta ao princípio da moralidade administrativa.
A representação foi assinada pelo subprocurador-geral Lucas Furtado, que questiona a legalidade do uso de transporte militar para deslocamentos de caráter aparentemente privado, sem comprovação de interesse público ou risco à segurança do parlamentar.
Entre os episódios mencionados está uma viagem realizada durante o período de Réveillon, quando Motta teria utilizado um jato da FAB para ir de João Pessoa ao Rio de Janeiro, sem agenda oficial conhecida, seguindo posteriormente para Angra dos Reis acompanhado de aliados políticos.
O Ministério Público também cita o uso das aeronaves em deslocamentos para jantares com empresários e para a participação em fóruns jurídicos internacionais, realizados em Lisboa e Buenos Aires ao longo de 2025, reforçando a suspeita de uso recorrente por conveniência pessoal.
O pedido de auditoria está sob análise do ministro Vital do Rêgo, presidente do TCU, a quem caberá decidir sobre a instauração do processo. Até o momento, a assessoria de Hugo Motta não se manifestou sobre as acusações.