Julgamento de Jairinho pela morte de Henry Borel começa sob nova tentativa de adiamento
Ex-vereador alegou estar sem defesa após advogado sofrer infarto; Ministério Público defendeu continuidade do júri no Rio de Janeiro
O julgamento do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, acusado pela morte do menino Henry Borel, teve início nesta segunda-feira (25) marcado por um novo pedido de adiamento apresentado pela defesa. Durante sessão realizada no 2º Tribunal do Júri da Capital, no Centro do Rio de Janeiro, Jairinho anunciou a destituição de seus advogados e afirmou não possuir condições de prosseguir no julgamento após o advogado Fabiano Tadeu Lopes sofrer um infarto no último sábado.
Ao se dirigir diretamente à juíza Elizabeth Machado Louro, o ex-vereador declarou que inicialmente havia solicitado a manutenção do júri, mas que posteriormente foi informado de que os demais integrantes da banca não conseguiriam assumir adequadamente a condução da defesa. Segundo Jairinho, Fabiano Lopes seria o único advogado com pleno conhecimento de três processos sigilosos relacionados a testemunhas que deverão depor durante o julgamento. O acusado afirmou ainda que, sem a presença do defensor principal, estaria impossibilitado de exercer plenamente seu direito constitucional à ampla defesa.
Durante a sessão, Jairinho declarou que desejava a continuidade do julgamento e o encerramento do processo, mas insistiu que a ausência do advogado inviabilizaria sua defesa técnica. O ex-parlamentar relatou que outros integrantes da equipe jurídica alegaram não possuir tempo suficiente para absorver o conteúdo necessário do caso em menos de 24 horas. “Eu estou sem defesa”, afirmou o acusado ao justificar o pedido de adiamento diante do tribunal.
O promotor Fábio Vieira dos Santos relembrou que o processo já havia sofrido interrupção anterior, em março deste ano, quando a defesa de Jairinho deixou o plenário do II Tribunal do Júri. Segundo ele, tanto a defesa quanto o próprio acusado contribuíram para novos atrasos no andamento do caso. O representante do Ministério Público afirmou ainda que a acusação está preparada para prosseguir com o julgamento mesmo diante da nova controvérsia envolvendo a equipe de defesa.
O Ministério Público também sustentou que, caso necessário, o julgamento poderia seguir apenas em relação à ré Monique Medeiros Costa e Silva, mãe de Henry Borel, embora tenha defendido que a análise dos dois acusados ocorra conjuntamente por critérios de lógica processual e economia judicial. A sessão ocorre em meio à grande repercussão nacional do caso, que mobilizou debates públicos sobre violência infantil, responsabilidade familiar e atuação do sistema de Justiça brasileiro.

