ONU enfrenta impasse sobre uso da força no Estreito de Ormuz em meio à escalada de tensõe
Proposta liderada pelo Bahrein divide potências globais e levanta temores de agravamento do conflito no Oriente Médio
Em meio ao agravamento da crise no Oriente Médio, o Conselho de Segurança da ONU deve votar uma resolução que pode autorizar o uso da força para garantir a segurança da navegação comercial no estratégico Estreito de Ormuz. A iniciativa, apresentada pelo Bahrein, ocorre diante de ameaças do Irã e de ataques recentes a embarcações na região, considerada vital para o abastecimento energético global.
Localizado na costa iraniana, o Estreito de Ormuz é responsável por cerca de 20% do fluxo mundial de petróleo e gás. A rota conecta importantes produtores do Oriente Médio, como Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait e Catar, tornando-se peça central na economia internacional e alvo sensível em períodos de instabilidade.
A proposta do Bahrein prevê a autorização de “todos os meios defensivos necessários” para proteger navios comerciais e garantir a livre circulação na região por pelo menos seis meses. No entanto, a medida enfrenta forte resistência de potências com poder de veto, como China, Rússia e França, o que coloca em dúvida sua aprovação.
Diplomatas indicam que a votação, inicialmente prevista para esta sexta-feira (3), pode ser adiada para o sábado (4), devido ao feriado nas Nações Unidas. Apesar disso, a Organização das Nações Unidas ainda não confirmou oficialmente a nova data, mantendo o cenário de incerteza.
O principal ponto de discordância entre os membros do conselho é a autorização para o uso amplo da força. O representante chinês na ONU, Fu Cong, alertou que a medida pode legitimar ações militares indiscriminadas e provocar uma escalada com consequências graves para a estabilidade global.
Segundo fontes diplomáticas, versões anteriores do texto já haviam enfrentado oposição formal no chamado “procedimento de silêncio”, mecanismo que indica discordância entre os membros. Países como China, França e Rússia pressionaram pela retirada de trechos considerados mais agressivos, evidenciando o impasse nas negociações.
A tensão no Estreito de Ormuz se intensificou nas últimas semanas, com o Irã sendo acusado de atacar navios e instalar minas navais. A crise já impacta diretamente o mercado internacional, elevando o preço do barril de petróleo a níveis elevados e aumentando os custos de transporte e seguros marítimos.
Enquanto isso, o ministro das Relações Exteriores do Bahrein, Abdullatif bin Rashid Al Zayani, defende uma resposta firme da comunidade internacional. Ele classificou as ações iranianas como ilegais e afirmou que representam uma ameaça direta à segurança global. Analistas, por sua vez, avaliam que a resolução possui forte peso simbólico, mas eficácia limitada sem o apoio decisivo das grandes potências militares.

