Quarta, 15 de Abril de 2026
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Nacional Internacional

ONU enfrenta impasse sobre uso da força no Estreito de Ormuz em meio à escalada de tensõe

Proposta liderada pelo Bahrein divide potências globais e levanta temores de agravamento do conflito no Oriente Médio

Por J.C Martins
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José Carlos Martins Júnior

J.C Martins

ararinhabruh@gmail.com
João Pessoa-PB

| 15/04/2026 00:17
Foto: Leon Neal / Pool via AP
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Em meio ao agravamento da crise no Oriente Médio, o Conselho de Segurança da ONU deve votar uma resolução que pode autorizar o uso da força para garantir a segurança da navegação comercial no estratégico Estreito de Ormuz. A iniciativa, apresentada pelo Bahrein, ocorre diante de ameaças do Irã e de ataques recentes a embarcações na região, considerada vital para o abastecimento energético global.

Localizado na costa iraniana, o Estreito de Ormuz é responsável por cerca de 20% do fluxo mundial de petróleo e gás. A rota conecta importantes produtores do Oriente Médio, como Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait e Catar, tornando-se peça central na economia internacional e alvo sensível em períodos de instabilidade.

A proposta do Bahrein prevê a autorização de “todos os meios defensivos necessários” para proteger navios comerciais e garantir a livre circulação na região por pelo menos seis meses. No entanto, a medida enfrenta forte resistência de potências com poder de veto, como China, Rússia e França, o que coloca em dúvida sua aprovação.

Diplomatas indicam que a votação, inicialmente prevista para esta sexta-feira (3), pode ser adiada para o sábado (4), devido ao feriado nas Nações Unidas. Apesar disso, a Organização das Nações Unidas ainda não confirmou oficialmente a nova data, mantendo o cenário de incerteza.

O principal ponto de discordância entre os membros do conselho é a autorização para o uso amplo da força. O representante chinês na ONU, Fu Cong, alertou que a medida pode legitimar ações militares indiscriminadas e provocar uma escalada com consequências graves para a estabilidade global.

Segundo fontes diplomáticas, versões anteriores do texto já haviam enfrentado oposição formal no chamado “procedimento de silêncio”, mecanismo que indica discordância entre os membros. Países como China, França e Rússia pressionaram pela retirada de trechos considerados mais agressivos, evidenciando o impasse nas negociações.

A tensão no Estreito de Ormuz se intensificou nas últimas semanas, com o Irã sendo acusado de atacar navios e instalar minas navais. A crise já impacta diretamente o mercado internacional, elevando o preço do barril de petróleo a níveis elevados e aumentando os custos de transporte e seguros marítimos.

Enquanto isso, o ministro das Relações Exteriores do Bahrein, Abdullatif bin Rashid Al Zayani, defende uma resposta firme da comunidade internacional. Ele classificou as ações iranianas como ilegais e afirmou que representam uma ameaça direta à segurança global. Analistas, por sua vez, avaliam que a resolução possui forte peso simbólico, mas eficácia limitada sem o apoio decisivo das grandes potências militares.

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