Sábado, 28 de Fevereiro de 2026
← Voltar para Home
Nacional Estatística

No ano de 2025, Paraíba registrou pior índice de feminicídios depois de dez anos; cenário de violência preocupa especialistas

Alta de casos expõe limites da legislação e reforça urgência de políticas educativas e culturais

Por J.C Martins
×

José Carlos Martins Júnior

J.C Martins

ararinhabruh@gmail.com
João Pessoa-PB

| 28/02/2026 18:28
Foto: Imagem ilustrativa / G1 Paraíba
Publicidade

A Paraíba encerrou 2025 com 36 feminicídios, alcançando o maior número desde a sanção da Lei do Feminicídio, em 2015, e evidenciando um cenário alarmante de violência de gênero que acompanha uma tendência nacional de crescimento.

O total registrado em 2025 iguala-se ao de 2019 e representa um aumento de 38% em relação a 2024, quando 25 mulheres foram assassinadas por razões de gênero. Os dados foram obtidos pelo g1, por meio da Lei de Acesso à Informação, junto à Secretaria de Estado da Segurança e da Defesa Social.

A análise mensal indica fevereiro e novembro como os períodos mais violentos, com seis e cinco feminicídios, respectivamente. Março e dezembro aparecem em seguida, com quatro casos cada, revelando uma distribuição contínua da violência ao longo do ano.

Os crimes ocorreram em ao menos 24 municípios paraibanos, entre eles João Pessoa, Campina Grande, Patos, Cajazeiras, Santa Rita e Sapé, o que, segundo especialistas, demonstra que o feminicídio não se restringe a territórios ou perfis sociais específicos.

Para a pesquisadora de gênero Glória Rabay, a persistência de números elevados está relacionada a fatores culturais profundamente enraizados. Ela destaca o machismo estrutural e o avanço de discursos misóginos, especialmente nas redes sociais, como elementos que alimentam a violência contra as mulheres em diferentes contextos sociais.

Embora a legislação tenha avançado — com a Lei nº 13.104/2015 e, mais recentemente, a Lei nº 14.994/2024, que tornou o feminicídio um crime autônomo com pena de até 40 anos de prisão —, Rabay avalia que a mudança legal, por si só, não é suficiente para reduzir os índices.

Segundo a pesquisadora, a principal contribuição da lei é dar nome ao crime, permitindo reconhecê-lo como uma violência motivada pela condição de gênero. Esse reconhecimento, afirma, é essencial para a conscientização social e para a formulação de políticas públicas mais eficazes.

A Paraíba acompanha uma tendência nacional preocupante. Em 2025, o Brasil ultrapassou 1.470 registros de feminicídio, uma média de quatro mulheres assassinadas por dia, conforme dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Diante desse cenário, especialistas defendem que o enfrentamento ao feminicídio exige um amplo processo educativo, que envolva escolas, famílias, meios de comunicação, instituições religiosas, empresas e toda a sociedade, como único caminho possível para a transformação cultural e a redução da violência de gênero.

Comentários

Deixe o seu: