Governo do Irã Responde à Ameaça de Trump e Culpa EUA e Israel por Mortes de Manifestantes
Teerã responsabiliza EUA e Israel por mortes e acusa Washington de incitar violência interna
O governo do Irã acusou os Estados Unidos e Israel de serem responsáveis pelas mortes de manifestantes durante uma onda de protestos que já dura semanas em várias cidades do país, intensificando um clima de tensão internacional e desentendimentos diplomáticos.
Em carta enviada à Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira (13), assinada pelo embaixador Amir Saeid Iravani, Teerã afirmou que declarações de autoridades norte-americanas contribuíram para instabilidade interna e ameaçaram a soberania iraniana, caracterizando tais ações como incitação à violência e violação do direito internacional.
O documento foi divulgado pouco depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usar redes sociais para incentivar os manifestantes a continuar protestando contra o governo do aiatolá Ali Khamenei, afirmando que “a ajuda está a caminho”.
Trump publicou em sua rede Truth Social que os protestantes deveriam “assumir suas instituições” e “guardar os nomes dos assassinos e abusadores, pois pagarão um preço alto”, o que, segundo Teerã, constitui interferência inaceitável nos assuntos internos do país e alimenta fantasias de mudança de regime.
A carta iraniana também critica o padrão “contínuo e crescente” de desestabilização política atribuído à política externa americana, apontando tais ações como violação das normas internacionais.
No texto, o Irã afirma que as potências estrangeiras, incluindo os Estados Unidos e o “regime israelense”, têm responsabilidade “legal direta e inegável” pela perda de vidas civis inocentes, especialmente de jovens, durante os conflitos.
Além disso, o governo solicitou ao Conselho de Segurança da ONU que condene oficialmente as declarações proferidas por Trump, reafirmando que a soberania e a integridade territorial da República Islâmica foram ameaçadas pelas declarações e ações externas.
Os protestos, que começaram no fim de dezembro em meio a insatisfação com a economia e rapidamente se transformaram em um amplo movimento contra o establishment clerical, provocaram uma violenta repressão e um elevado número de mortos e detidos, conforme relatos divulgados por autoridades iranianas e grupos de direitos humanos.
A reivindicação de ajuda externa por Trump e a resposta iraniana intensificaram as preocupações de escalada regional, com temores de que a situação evolua para um confronto mais amplo caso intervenções estrangeiras sejam consideradas.