Delegado investigado por desvio de drogas tem pedido de prisão domiciliar negado pela Justiça da Paraíba
Defesa alegou diagnóstico anterior de câncer de próstata, mas ausência de documentos médicos atualizados levou à manutenção da prisão temporária
A tentativa da defesa do delegado Braz Morroni de converter sua prisão temporária em prisão domiciliar humanitária foi negada pela Justiça da Paraíba durante audiência de custódia realizada após a operação que investiga um suposto esquema de desvio e revenda ilegal de drogas apreendidas pela Polícia Civil. O delegado permanece detido por 30 dias enquanto avançam as investigações sobre o caso.
Preso na última terça-feira (2), Morroni é apontado como um dos alvos da Operação Perfídia, que apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de envolvimento com tráfico de drogas, corrupção e vazamento de informações sigilosas. Segundo as investigações, agentes públicos teriam utilizado estruturas estatais para favorecer atividades ilícitas em parceria com integrantes de facções criminosas.
Durante a audiência, a defesa argumentou que o delegado foi diagnosticado com câncer de próstata e apresentou documentos médicos produzidos entre 2023 e 2024, indicando que ele passou por tratamento cirúrgico no período. O pedido buscava a substituição da prisão temporária por uma medida domiciliar sob justificativa humanitária.
Ao negar a solicitação, a juíza Michelini de Oliveira Dantas, da 1ª Vara Regional de Garantias de João Pessoa, destacou que não foram apresentados laudos ou relatórios médicos atualizados que comprovassem eventual reaparecimento da doença, complicações recentes ou um quadro de extrema debilidade física. A magistrada também mencionou que o exame traumatológico realizado no dia da audiência não registrou lesões nem indicativos clínicos que justificassem a mudança do regime de custódia.
Outro fundamento utilizado pela decisão foi o entendimento de que pedidos de prisão domiciliar humanitária, salvo situações excepcionais e urgentes, devem ser analisados pelo juízo responsável pelo processo principal e não no âmbito da audiência de custódia. Dessa forma, o mérito da solicitação será apreciado pela 2ª Vara de Garantias de João Pessoa.
De acordo com a defesa do delegado, a juíza Conceição Marsicano — responsável pela expedição dos mandados de prisão — solicitou vista dos autos para manifestação do Ministério Público da Paraíba (MPPB). Somente após a emissão do parecer ministerial será tomada uma decisão definitiva sobre o pedido de prisão domiciliar.
Além de Braz Morroni, outras oito pessoas foram presas durante a operação, incluindo os agentes Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como “Bomba” ou “Bombado”, apontado como articulador entre policiais e traficantes, e Eduardo Jorge Ferreira do Egito, chamado de “Mão Branca”, investigado por suposta participação na subtração e ocultação de entorpecentes. Também foram detidos outros investigados suspeitos de integrar o esquema criminoso.
Com mais de duas décadas de atuação na Polícia Civil da Paraíba e atualmente lotado na Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (DCCPAT), Braz Morroni já passou por unidades especializadas, entre elas a de Repressão a Entorpecentes. O nome da Operação Perfídia faz referência ao significado de “traição” ou “deslealdade”, em alusão às condutas atribuídas aos investigados. A ação também determinou o cumprimento de nove mandados de prisão, 24 mandados de busca e apreensão e o bloqueio de aproximadamente R$ 10 milhões em bens dos investigados.

