Crise hemisférica: OEA e ONU debatem ação militar dos EUA na Venezuela
Brasil classifica operação como “sequestro” e alerta para riscos à ordem internacional
A ordem internacional foi severamente questionada após uma operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, no último sábado (3), que resultou no ataque aéreo em Caracas e na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, gerando forte repercussão diplomática e debates em organismos multilaterais.
Em reunião extraordinária do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA), o embaixador do Brasil junto à entidade, Benoni Belli, qualificou a ação como grave e inaceitável, afirmando que os bombardeios e o sequestro ultrapassam uma linha que ameaça a soberania venezuelana e podem estabelecer um precedente perigoso para a comunidade internacional.
O diplomata brasileiro alertou que agressões militares corroem o multilateralismo, possibilitando que países mais poderosos determinem unilateralmente o que é justo ou injusto e violando princípios fundamentais do direito internacional. Paralelamente, em reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU), o embaixador do Brasil também repudiou a justificativa de que fins supostamente nobres legitimariam tais meios, reforçando o argumento em defesa da soberania nacional e da legalidade internacional.
A reação global tem sido marcada por forte condenação de diversos países, inclusive formalizada pela Venezuela perante a ONU, que acusou os Estados Unidos de violar a Carta das Nações Unidas ao empregar força militar e comprometer a integridade territorial venezuelana.
Maduro e sua esposa foram levados aos Estados Unidos, onde enfrentam acusações federais relacionadas a narcotráfico e outras acusações, mas negam veementemente qualquer envolvimento, qualificando-se como prisioneiros de guerra e reafirmando sua inocência diante da Justiça norte-americana.