Ataque dos EUA à Venezuela resulta na captura de Nicolás Maduro
Operação militar relâmpago provoca crise institucional, reações internacionais e incertezas sobre o poder em Caracas
Um ataque militar de grande escala realizado pelos Estados Unidos na madrugada deste sábado (3) abalou a Venezuela e reacendeu tensões geopolíticas na América Latina. Explosões foram registradas em Caracas e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira, culminando, segundo Washington, na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, que teriam sido levados sob custódia americana para responder à Justiça em Nova York.
De acordo com o presidente dos EUA, Donald Trump, o casal foi retirado do território venezuelano por via aérea e mantido em local sigiloso por razões de segurança. O julgamento deverá ocorrer no Tribunal Federal do Distrito Sul de Nova York, onde ambos são denunciados por conspiração para narcoterrorismo, importação de cocaína e posse de armas de guerra. O governo americano afirma que Maduro lidera o chamado Cartel de los Soles, acusação que é relativizada por especialistas, que apontam a existência de uma rede difusa de militares e aliados envolvidos no tráfico.
O governo venezuelano declarou estado de emergência, afirmou desconhecer o paradeiro do presidente e exigiu prova de vida de Maduro e da primeira-dama. Até o momento, não há confirmação oficial sobre a sucessão presidencial. Pela Constituição do país, o poder deveria ser transferido à vice-presidente Delcy Rodríguez, mas não houve anúncio formal de sua posse.
A ofensiva militar teria durado menos de 30 minutos, segundo a Associated Press. Moradores relataram múltiplas explosões, voos rasantes de aeronaves militares, tremores e quedas de energia em áreas próximas a instalações estratégicas. Pessoas correram para as ruas e registraram o episódio nas redes sociais. Não há, até agora, um balanço oficial consolidado de mortos ou feridos, embora autoridades venezuelanas indiquem a ocorrência de vítimas. Um oficial dos EUA afirmou que não houve baixas americanas.
Washington informou que a captura de Maduro foi executada pela Força Delta, unidade de elite do Exército dos Estados Unidos especializada em operações sigilosas e na prisão de alvos estratégicos. Trump classificou a ação como uma “operação brilhante”, fruto de planejamento intenso e coordenação entre forças militares e de segurança.
Analistas ouvidos por centros de pesquisa internacionais ponderam que, embora não haja consenso sobre a liderança direta de Maduro no tráfico, existem indícios de que o chavismo se sustente por meio de uma “governança criminal híbrida”, na qual concessões a militares e aliados garantiriam apoio político e permanência no poder.
No cenário internacional, a reação foi imediata. O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, declarou que os bombardeios e a captura de Maduro “ultrapassam uma linha inaceitável” nas relações entre países. Para Lula, a ação representa uma “flagrante violação do direito internacional” e remete aos piores momentos de interferência externa na política latino-americana, estabelecendo um precedente considerado perigoso para a comunidade internacional.