Alta da gasolina e tensão no Oriente Médio pressionam consumo nos EUA, diz CEO do McDonald’s
Consumidores de baixa renda reduzem gastos e grandes redes de fast-food registram desaceleração nas vendas
O aumento no preço da gasolina nos Estados Unidos, somado aos impactos econômicos da guerra envolvendo o Irã, tem afetado diretamente o consumo e pressionado o desempenho de grandes redes de restaurantes no país. O alerta foi feito pelo CEO da McDonald's, Chris Kempczinski, que afirmou que consumidores de baixa renda estão reduzindo despesas e optando por pedidos mais simples diante do aperto no orçamento familiar.
Segundo o executivo, a companhia está preparada para enfrentar a volatilidade de curto prazo provocada pelo conflito no Oriente Médio. No entanto, Kempczinski destacou que uma guerra prolongada pode causar interrupções na cadeia global de suprimentos, elevar custos operacionais e ampliar ainda mais a retração do consumo. Durante conversa com investidores, ele afirmou que a alta nos combustíveis se tornou atualmente a principal preocupação da empresa.
Analistas de Wall Street avaliam que o cenário econômico tem provocado mudanças no comportamento dos consumidores norte-americanos, que passaram a priorizar itens avulsos mais baratos em vez de refeições completas. Esse movimento já estaria impactando diretamente o desempenho das principais redes de fast-food do país, especialmente entre clientes de menor poder aquisitivo.
Apesar do ambiente econômico mais desafiador, o McDonald’s registrou receita e lucro acima das expectativas do mercado no primeiro trimestre do ano. As vendas globais em lojas abertas há pelo menos um ano cresceram 3,8%, embora o resultado tenha ficado ligeiramente abaixo das projeções de analistas financeiros.
Outras grandes redes do setor alimentício também relataram desaceleração nas vendas trimestrais, entre elas Shake Shack, Papa Johns, Wingstop e Domino's Pizza. Especialistas apontam que a combinação entre inflação, aumento dos combustíveis e incertezas internacionais tem tornado os consumidores mais cautelosos e seletivos em relação aos gastos com alimentação fora de casa.

