Seca avança na Paraíba e Governo Federal reconhece emergência em seis municípios
Com chuvas abaixo da média e perdas crescentes no campo, cenário preocupa produtores e amplia pressão por medidas de apoio ao setor agropecuário
A estiagem voltou a intensificar seus efeitos sobre o campo paraibano e acendeu um novo alerta para milhares de produtores rurais que enfrentam dificuldades provocadas pela irregularidade das chuvas. Diante do agravamento do cenário, o Governo Federal reconheceu a situação de emergência em seis municípios da Paraíba afetados pela seca: Damião, Gurjão, Passagem, Queimadas, São João do Rio do Peixe e São José dos Cordeiros.
A medida foi oficializada por meio de portarias publicadas na última sexta-feira (29) pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR). Com o reconhecimento federal, as prefeituras passam a ter autorização para solicitar recursos destinados a ações emergenciais de defesa civil por meio do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD), com foco na mitigação dos impactos causados pela escassez hídrica.
O quadro climático aumenta ainda mais a preocupação porque não há previsão de volumes significativos de chuva para os próximos dias. Segundo a meteorologista Estael Sias, maio foi marcado por precipitações muito abaixo da média em diversas áreas do interior do Nordeste, incluindo regiões da Paraíba e do Matopiba. De acordo com a especialista, os volumes previstos para esta semana variam entre apenas 2 e 5 milímetros em cinco dias — quantidade considerada insuficiente para alterar o cenário atual.
No campo, os reflexos da estiagem já são percebidos em diferentes frentes. A falta de água compromete o desenvolvimento das lavouras, reduz a disponibilidade de pastagens e pressiona os níveis dos açudes. O impacto também alcança a produção leiteira e ameaça diretamente a renda e a subsistência de milhares de famílias que dependem da agricultura e da pecuária.
A gravidade da crise hídrica no estado também aparece nos números. Um levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM), reunido no estudo Panorama dos Desastres no Brasil, aponta que a Paraíba lidera o ranking nacional de decretos relacionados à seca e à estiagem no período entre 2013 e 2025.
Segundo o estudo, foram registrados 4.664 decretos de Situação de Emergência ou Estado de Calamidade Pública motivados pela falta de chuvas. O volume coloca a Paraíba isoladamente na primeira posição nacional e evidencia a frequência dos eventos climáticos extremos que atingem o semiárido nordestino.
Além dos impactos sociais, os prejuízos econômicos acumulados também chamam atenção. O levantamento estima perdas de aproximadamente R$ 65,4 bilhões no estado ao longo do período analisado, afetando tanto os cofres públicos quanto atividades produtivas ligadas ao agronegócio e à economia local.
Diante da perspectiva de continuidade da estiagem, o Governo da Paraíba anunciou medidas de apoio ao setor agropecuário. Entre as ações previstas estão a aquisição de farelo de soja subsidiado e a compra de alimentos volumosos para garantir a alimentação animal durante os meses mais secos do ano. A expectativa é reduzir os danos e oferecer suporte aos produtores que já convivem com os efeitos de uma das mais persistentes crises hídricas do estado.

