Resgate de gambá com filhotes viraliza e destaca importância ecológica da espécie no Paraná
Soltura conduzida por técnico ambiental reforça combate a mitos e valor da fauna urbana
Um resgate de fauna silvestre realizado em Toledo, no Paraná, ganhou ampla repercussão nas redes sociais ao mostrar a soltura de uma fêmea de gambá acompanhada de seus filhotes. A ação foi conduzida por Tiago Luidy Pizzato Stertz, criador de conteúdo e técnico responsável pelo setor na Secretaria do Meio Ambiente, e chamou a atenção ao evidenciar a importância da preservação de espécies frequentemente estigmatizadas.
Conhecido popularmente como saruê ou gambá-de-orelha-preta, o Didelphis aurita é um marsupial essencial para o equilíbrio ecológico, apesar da má reputação associada a mitos e desinformação. Presente em diversas regiões do Brasil, o animal desempenha papel relevante na manutenção da biodiversidade, inclusive em ambientes urbanos.
Entre suas principais funções ecológicas está o controle natural de pragas. O saruê alimenta-se de insetos, aracnídeos — como escorpiões —, além de roedores, cobras e outros pequenos animais, contribuindo diretamente para a regulação dessas populações e para a redução de riscos à saúde humana.
Um dos equívocos mais comuns envolvendo a espécie é a crença de que ela transmite raiva. No entanto, essa hipótese não se sustenta cientificamente. Devido à sua baixa temperatura corporal, em torno de 35 °C, o organismo do animal não oferece condições favoráveis para a sobrevivência do vírus.
Mesmo em situações de eventual contato com animais infectados, o vírus da raiva não consegue se replicar no organismo do gambá, o que torna infundado o temor de transmissão aos seres humanos. O episódio, além de sensibilizar o público, reforça a necessidade de educação ambiental e de proteção à fauna silvestre.

