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Em Foco Caso Epstein

Modelo brasileira relata que escapou de recrutador de Epstein por causa da intervenção da mãe

Entenda como uma decisão familiar afastou uma jovem brasileira do epicentro de uma rede internacional de abusos

Por J.C Martins
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José Carlos Martins Júnior

J.C Martins

ararinhabruh@gmail.com
João Pessoa-PB

| 28/02/2026 14:57
Foto: BBC News Brasil
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Se eu tivesse desobedecido a minha mãe e ido para Nova York, o que teria acontecido comigo?” A pergunta ecoa há anos na memória de Gláucia Fekete e hoje ganha novos contornos à luz de revelações recentes.

Em 2004, aos 16 anos, a jovem gaúcha dava os primeiros passos na carreira de modelo quando foi convidada a participar de um concurso internacional no Equador. A competição prometia um prêmio de US$ 300 mil e a chance de contratos no exterior, incluindo uma ida direta para Nova York.

A proposta, no entanto, despertou desconfiança em sua mãe, Bárbara Fekete. Para contornar a resistência da família, o idealizador do concurso, o francês Jean-Luc Brunel, foi pessoalmente ao interior do Rio Grande do Sul, onde passou uma tarde com os parentes da jovem em Santa Rosa.

Anos depois, Brunel seria acusado de estuprar e assediar mulheres, além de ser apontado como aliciador de meninas ligadas à rede do criminoso sexual Jeffrey Epstein. Preso na França em 2020, ele morreu na cadeia em 2022, sem julgamento.

Convencida à época, Gláucia viajou com a equipe do agente ao Equador para o concurso Models New Generation, realizado em Guayaquil, que reuniu cerca de 50 adolescentes de vários países. A imprensa local deu ampla visibilidade ao evento, vencido pela brasileira Aline Weber, então com 15 anos.

Apesar da experiência internacional, a mãe vetou o convite seguinte: acompanhar Brunel aos Estados Unidos. A decisão gerou frustração imediata, mas hoje é reinterpretada pela ex-modelo como um ato de proteção. “Foi um livramento”, afirma, ao revisitar o episódio duas décadas depois.

A trajetória de Gláucia integra um novo capítulo de uma investigação da BBC News Brasil sobre a atuação de Epstein e de sua rede na América do Sul. A apuração reuniu documentos e entrevistas que indicam a presença do bilionário em Guayaquil no dia da final do concurso.

Segundo os registros divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA, ao menos uma modelo menor de idade que participou do evento viajou no avião de Epstein naquele mesmo ano. Os documentos apontam ainda que Brunel utilizava suas agências de modelos como meio para atrair jovens — inclusive menores — para a rede do bilionário.

À época do concurso, não havia acusações formais contra Epstein, que só passaria a ser investigado em 2005 e se declararia culpado em 2008 por solicitação de prostituição envolvendo uma menor. Hoje, o passado lança uma nova luz sobre decisões que, sem alarde, mudaram destinos.

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