Quarta, 09 de Setembro de 2026
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Política

Vice-prefeito assume Prefeitura de Caaporã após afastamento de prefeito investigado

Carlos Monteiro tomou posse como prefeito interino nesta quinta-feira (20), enquanto investigação apura supostas fraudes em licitações e desvios de recursos públicos no município

Por J.C Martins
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José Carlos Martins Júnior

J.C Martins

ararinhabruh@gmail.com
João Pessoa-PB

| 09/09/2026 13:02
Foto: Youtube/Câmara Municipal de Caaporã
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A Prefeitura de Caaporã, na Paraíba, passou a ser comandada interinamente pelo vice-prefeito Carlos Monteiro nesta quinta-feira (20), após o afastamento judicial do então prefeito Francisco Nazário de Oliveira (União Brasil). A medida ocorre no âmbito da Operação Purgatório, que investiga suspeitas de fraudes em licitações e irregularidades em contratos relacionados à coleta de resíduos sólidos e à limpeza urbana.

A cerimônia de posse foi realizada durante a tarde na Câmara Municipal e conduzida pelo presidente da Casa, Oto Mariano. Durante o ato, foi ressaltado que o afastamento de Francisco Nazário decorre de uma decisão judicial e permanecerá em vigor enquanto perdurar a medida cautelar determinada pela Justiça. Carlos Monteiro assinou a ata de posse minutos após o início da solenidade.

Em seu primeiro discurso como prefeito interino, Carlos Monteiro pediu tranquilidade à população e afirmou que pretende dar continuidade aos trabalhos da administração municipal. Segundo ele, a gestão deverá atuar de forma conjunta para enfrentar o momento de instabilidade política e administrativa.

“Mantenham a calma, que eu estou aqui, e o trabalho continua. Somos uma equipe, sozinhos não chegamos a lugar nenhum. Vamos trabalhar ainda mais por Caaporã, vamos fazer a diferença”, declarou.

Durante a solenidade, Monteiro foi aplaudido pelos participantes presentes na Câmara Municipal. Com a mudança temporária no comando do Executivo, o vice-prefeito passa a responder pela Prefeitura enquanto permanecer vigente a decisão judicial que determinou o afastamento de Francisco Nazário.

Segundo o Ministério Público, a investigação apura a suposta existência de uma organização criminosa estruturada no Poder Executivo de Caaporã, que teria como objetivo direcionar contratações emergenciais, superfaturar serviços e desviar recursos públicos. Conforme o órgão, o prejuízo aos cofres municipais já ultrapassa R$ 2 milhões, em valores atualizados. Além do prefeito afastado, também foram atingidos pela medida o secretário de Infraestrutura e Serviços Urbanos, Severino Pereira de Lima Neto, e a agente de contratação Fernanda Ellen da Silva Gomes.

Ao todo, a operação possui 12 alvos, entre pessoas físicas e empresas. Entre os investigados estão Cristine Roberta Rodrigues Pinho, primeira-dama e secretária; Gabriel Gomes Nogueira; Francisco Nogueira de Barros; Hilton Amorim Cunha Júnior; Sandro Trajano de Freitas; Rute Gomes da Silva de Freitas; além das empresas HAC Serviços Ambientais Ltda., GN Locações e Serviços Ltda. e Caaporã Cargas e Logística Ltda. A investigação é conduzida pelo Gaeco e pela Comissão de Combate aos Crimes de Responsabilidade e à Improbidade Administrativa (Ccrimp/MPPB), em conjunto com a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/PCPB).

As investigações tiveram início em setembro de 2025, após a divulgação de um vídeo no qual Francisco Nazário aparece recebendo uma bolsa com aproximadamente R$ 400 mil antes das eleições municipais de 2024. O Ministério Público apura se o dinheiro teria relação com o recebimento de vantagens envolvendo a indicação para contratação de uma empresa responsável pela coleta de lixo em Caaporã. O então prefeito negou as acusações.

Até a última atualização da notícia, o g1 informou que não havia conseguido contato com o prefeito afastado. A HAC Serviços Ambientais declarou que está colaborando com as investigações e entregou a documentação solicitada pelo Ministério Público. A GN Locações e Serviços não havia respondido, enquanto o contato da Caaporã Cargas e Logística não foi localizado. Também não havia sido possível obter manifestação das defesas dos demais investigados.

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