Polícia Civil investiga saída de mais de 100 pessoas de casa de acolhimento na Paraíba
Grupo deixou imóvel em Santa Rita após relatos de condições precárias; parte dos acolhidos passou a noite em posto de combustíveis às margens da BR-230.
A Polícia Civil da Paraíba instaurou um procedimento investigativo para apurar a saída de mais de 100 pessoas de uma casa de acolhimento localizada em Santa Rita, na Região Metropolitana de João Pessoa. Após deixarem o imóvel, parte do grupo passou a noite em um posto de combustíveis às margens da BR-230. A informação foi confirmada pela corporação ao Jornal da Paraíba nesta segunda-feira (26). Segundo o delegado Márcio Pereira, diligências estão em andamento, mas a investigação tramita sob segredo de Justiça.
O Ministério Público da Paraíba (MPPB) também acompanha o caso. De acordo com o órgão, as pessoas acolhidas foram encaminhadas para seus locais de origem, na Paraíba, em Pernambuco e em Sergipe. O promotor de Justiça Francisco Lianza reuniu-se com representantes da Secretaria de Assistência Social e do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) de Santa Rita. A Promotoria aguarda um relatório da secretaria municipal para definir as próximas medidas relacionadas à apuração.
Segundo informações do 7º Batalhão da Polícia Militar, os acolhidos teriam deixado o imóvel devido às condições oferecidas no local, que não foram detalhadas. Após contato com o responsável pelo espaço, algumas pessoas decidiram retornar, enquanto outras solicitaram que familiares fossem buscá-las. A saída do grupo ocorreu após um episódio de agressão física motivado por uma discussão envolvendo uma pessoa que foi ao local buscar um familiar. A vítima registrou um boletim de ocorrência, conforme informações divulgadas pela TV Cabo Branco.
O proprietário da granja onde funcionava a casa de acolhimento, Dorgivan de Castro, afirmou à emissora que tomou conhecimento do ocorrido por meio da pessoa que registrou a ocorrência. Quando chegou ao imóvel, parte dos acolhidos e a liderança responsável pelo grupo já haviam deixado o local. Ele relatou que prestou assistência às pessoas que permaneceram e procurou encaminhá-las de volta aos familiares.
Ainda segundo Dorgivan, o imóvel havia sido alugado a um homem identificado como Gláucio Amaral para a instalação de uma filial de uma casa de recuperação que funcionava em Goiana, Pernambuco. O proprietário declarou que não pretende manter o aluguel do espaço e que deseja localizar os familiares dos acolhidos para viabilizar o retorno deles para casa. A investigação deverá esclarecer as circunstâncias da saída do grupo e os fatos relatados sobre as condições de acolhimento.
