Quinta, 10 de Setembro de 2026
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Polícia Justiça

Justiça da Paraíba torna oito réus em ação da Operação Perfidus

Denúncia do Ministério Público aponta suposta atuação de policiais civis em organização criminosa ligada ao tráfico de drogas; prisões preventivas foram mantidas

Por J.C Martins
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José Carlos Martins Júnior

J.C Martins

ararinhabruh@gmail.com
João Pessoa-PB

| 10/09/2026 14:02
Foto: TV Cabo Branco / G1 Paraíba
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A Justiça da Paraíba recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) e tornou réus oito investigados na Operação Perfidus, que apura a suposta participação de policiais civis e integrantes do tráfico de drogas em uma organização criminosa. Entre os denunciados estão o delegado Braz Morroni e os agentes Everton Aires e Eduardo Jorge. A decisão foi assinada na terça-feira (25) e marca o início formal da ação penal.

Segundo a denúncia do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), os investigados fariam parte de uma organização criminosa armada que teria como uma de suas principais atividades a apropriação e o desvio de carregamentos de drogas pertencentes a facções rivais. Conforme o Ministério Público, os entorpecentes seriam posteriormente reinseridos no comércio ilegal. O grupo também é acusado de lavagem de dinheiro, mediante a ocultação e dissimulação dos valores obtidos com as atividades criminosas.

A investigação teve como alvo servidores públicos lotados na Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (DCCPAT), em João Pessoa, que, de acordo com o MP, teriam atuado em conjunto com integrantes do narcotráfico. A Justiça considerou que a denúncia apresenta elementos suficientes para o prosseguimento da ação penal, incluindo a descrição das circunstâncias dos crimes, a individualização da participação de cada acusado e indícios de materialidade e autoria.

A decisão também manteve a prisão preventiva de:

Braz Morroni de Paiva Júnior

Everton Rychelyson da Silva Aires

Eduardo Jorge Ferreira do Egito

José Alexandrino de Lira Júnior

João Wicttor Alves de Lima

Brendo Roberth Fernandes Sobral e Paulo Ricardo Barbosa de Souza.

Entre os fundamentos apontados estão a gravidade dos crimes investigados, a suspeita de participação em uma organização criminosa estruturada e o risco de interferência na investigação e na instrução processual.

Conforme a acusação, Braz Morroni teria exercido um papel de liderança institucional no esquema, enquanto Everton Aires seria responsável pela articulação entre policiais e integrantes de facções criminosas. Eduardo Jorge é apontado como participante de ações destinadas à retirada de drogas de depósitos com o uso de viaturas oficiais. José Alexandrino seria responsável pela articulação do tráfico interestadual. João Wicttor é acusado de atuar no refino, adulteração e distribuição de cocaína e crack na Região Metropolitana de João Pessoa, enquanto Brendo Roberth teria participado da manipulação e circulação de drogas no comércio varejista. Paulo Ricardo, por sua vez, é apontado como informante e integrante da distribuição de drogas, além de supostamente participar de abordagens realizadas com policiais.

A defesa de Eduardo Jorge afirmou que ainda não teve acesso integral aos elementos indiciários produzidos no âmbito das medidas cautelares vinculadas ao processo. Segundo os advogados, a garantia do contraditório, da ampla defesa e da paridade de armas não pode existir apenas formalmente. As defesas de Everton Aires e Braz Morroni não haviam se manifestado até a última atualização, enquanto as dos demais réus não foram localizadas.

Com o recebimento da denúncia, os oito réus serão citados para apresentar resposta à acusação no prazo de dez dias. Depois dessa etapa, o processo seguirá para a fase de instrução, com produção e análise de provas, incluindo depoimentos de testemunhas e dos acusados. A Justiça também autorizou o compartilhamento de provas da investigação com outros inquéritos, procedimentos da Corregedoria-Geral da Polícia Civil e apurações do Ministério Público. A Operação Perfidus cumpriu nove mandados de prisão e 24 de busca e apreensão, além de determinar o bloqueio de aproximadamente R$ 10 milhões dos investigados.

As acusações apresentadas pelo Ministério Público ainda serão analisadas ao longo do processo, e os réus têm direito à ampla defesa e ao contraditório.

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