Adolescente é sentenciado a até três anos de internação por morte de homem em hotel de João Pessoa
Justiça determina reavaliação da medida socioeducativa a cada seis meses; defesa afirma que decisão deve ser reexaminada
A Justiça da Paraíba sentenciou à internação, por período de até três anos, o adolescente responsabilizado pela morte de Washington Rodrigo, de 33 anos, encontrado morto dentro de um quarto de hotel no bairro de Manaíra, em João Pessoa. A decisão considera o ato infracional análogo a homicídio qualificado e estabelece que a medida socioeducativa seja reavaliada a cada seis meses.
O adolescente, natural do Rio Grande do Norte, havia se apresentado à Polícia Civil em Caicó, no estado potiguar, acompanhado do advogado de defesa. Posteriormente, foi transferido para João Pessoa. Antes da sentença, ele participou de uma audiência de instrução realizada em 31 de agosto. Com a decisão, a internação deverá ser inicialmente cumprida por seis meses, período após o qual poderá ser reavaliada pela Justiça.
Na sentença, o juiz Luiz Eduardo Souto considerou qualificadoras relacionadas ao motivo fútil, associado à discussão sobre pagamento e ao receio de exposição da vida privada; ao meio cruel, em razão do estrangulamento e da asfixia; e ao emprego de recurso que teria impossibilitado a defesa da vítima, que, segundo a decisão, foi imobilizada e atacada sem condições de reagir.
A defesa, por meio do advogado Ariolan Fernandes, afirmou que respeita a decisão judicial, mas considera que a medida deve ser reexaminada. Segundo o defensor, devem ser consideradas as circunstâncias do caso, o histórico de acompanhamento psicossocial do adolescente e os princípios de proporcionalidade e individualização da resposta socioeducativa.
De acordo com a Polícia Civil, o adolescente chegou a João Pessoa em 23 de julho e, no mesmo dia, acessou um site de relacionamento, onde encontrou o perfil de Washington Rodrigo. Após iniciar uma conversa pela plataforma, os dois passaram a se comunicar por aplicativo de mensagens e marcaram um encontro para o dia seguinte. Para entrar no hotel, o adolescente teria apresentado um documento falso.
Na madrugada de 24 de julho, os dois se encontraram no estabelecimento. Conforme a investigação, o adolescente afirmou ter se sentido intimidado ao suspeitar que Washington havia registrado parte do encontro íntimo. Segundo a polícia, ele utilizou uma pistola de airsoft para obrigar a vítima a fornecer a senha do celular e, posteriormente, teria usado o cabo de um secador de cabelo para estrangulá-la. O adolescente alegou que pretendia apenas deixar Washington desacordado para conseguir fugir do local.
O Instituto de Medicina Legal (IML) confirmou que Washington Rodrigo morreu por asfixia e apresentava sinais de tortura. Após o crime, o adolescente teria tentado deixar o hotel utilizando o carro da vítima, mas não conseguiu e fugiu sozinho. Durante a investigação, a Polícia Civil apreendeu uma pistola de airsoft e algemas, objetos considerados relevantes para esclarecer a dinâmica do crime. Familiares informaram que Washington trabalhava como motorista autônomo e havia comunicado à mãe que faria uma corrida para Pipa, no Rio Grande do Norte, antes de desaparecer.
Segundo a Polícia Civil, o adolescente possuía pelo menos 17 boletins de ocorrência registrados no Rio Grande do Norte e já havia sido internado anteriormente em uma unidade destinada a adolescentes em conflito com a lei. Entre os registros citados estão atos infracionais análogos a furto qualificado, extorsão, perseguição, ameaça, violência doméstica e lesão corporal em contexto de violência doméstica.
