Quadro atribuído a Di Cavalcanti, avaliado em até R$ 500 mil, é apreendido em operação contra empresa de apostas na Paraíba
Obra encontrada em apartamento de empresário em João Pessoa será submetida a perícia; Operação Arena investiga suspeitas de evasão de divisas e lavagem de dinheiro
Uma obra que pode ter sido pintada pelo artista brasileiro Di Cavalcanti, com valor estimado em até R$ 500 mil caso sua autenticidade seja confirmada, foi apreendida nesta quinta-feira (13) durante a Operação Arena, que investiga suspeitas de evasão de divisas e lavagem de dinheiro relacionadas ao setor de apostas esportivas. O quadro foi localizado em um apartamento do empresário Ernildo Júnior, proprietário da PixBet, no bairro do Altiplano, em João Pessoa. A autenticidade da obra ainda será analisada por perícia especializada.
A pintura é assinada e datada de 1963. Di Cavalcanti foi um dos principais nomes do modernismo brasileiro e teve participação de destaque na Semana de Arte Moderna de 1922. Segundo as informações apuradas, a avaliação de até R$ 500 mil depende da confirmação de que a obra é, de fato, de autoria do artista.
Durante o cumprimento dos mandados, Ernildo Júnior foi abordado enquanto estava em um carro, que também foi apreendido, assim como o celular do empresário. A ação foi registrada em vídeo na região de entrada de Campina Grande. A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão relacionados à investigação.
A PixBet é investigada por supostamente integrar um grupo empresarial que teria utilizado estruturas societárias e financeiras no exterior para ocultar a origem e a destinação de recursos provenientes da exploração de jogos de azar e apostas esportivas. A operação também alcança a PixStar, empresa sediada na ilha de Curaçao, no Caribe, para a qual a Polícia Federal identificou pagamentos relacionados à empresa paraibana.
Ao todo, 19 mandados de busca e apreensão foram expedidos pela 4ª Vara Federal da Paraíba, além de medidas de quebra de sigilo bancário e telemático e o sequestro de bens e valores de até R$ 1,1 bilhão. As ações ocorrem na Paraíba, Sergipe, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. Inicialmente, a Polícia Federal havia informado o cumprimento de 17 mandados, número posteriormente atualizado para 19.
Na Paraíba, os mandados são cumpridos em João Pessoa, Campina Grande e Serra Branca. Em outros estados, as diligências ocorrem em Aracaju (SE), São Paulo (SP), Rio de Janeiro e Niterói (RJ), além de Curitiba (PR). A sede da PixBet, em Campina Grande, também foi alvo da operação, assim como a residência de um homem apontado pela investigação como possível “laranja” do grupo.
A operação também tem como alvo o advogado Nelson Wilians, que foi alvo de um mandado de busca e apreensão em sua residência, em São Paulo. Segundo a investigação, ele é suspeito de atuar como operador financeiro do grupo e de ocultar bens supostamente obtidos de forma ilegal. A defesa afirma que a relação entre o escritório do advogado e a PixBet é “estritamente profissional” e decorre da prestação de serviços jurídicos.
Em nota, a defesa da PixBet afirmou que não teve acesso à decisão que autorizou a operação e que foi “pega de surpresa” com a ação. Segundo os advogados, a empresa deverá se manifestar após ter acesso ao conteúdo da decisão judicial. O g1 também informou que tenta contato com os demais citados na investigação.
A Operação Arena apura possíveis crimes de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e outras infrações contra o sistema financeiro nacional. Enquanto a investigação prossegue, a obra atribuída a Di Cavalcanti permanecerá sujeita à análise pericial, que deverá determinar se a assinatura e a pintura são autênticas e, consequentemente, se o quadro possui o valor estimado.
