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Nacional Espanha

Dez anos depois da chacina de Pioz, paraibano ainda aguarda julgamento por suposta participação no crime

Marvin Henriques Correia foi absolvido em 2021, mas a decisão foi revertida após recurso do Ministério Público; processo segue em tramitação na Justiça da Paraíba

Por J.C Martins
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José Carlos Martins Júnior

J.C Martins

ararinhabruh@gmail.com
João Pessoa-PB

| 09/09/2026 13:57
Foto: Atresplayer / Divulgação
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Uma década após a chacina que chocou a Paraíba e a Espanha, o caso envolvendo Marvin Henriques Correia permanece sem desfecho judicial. Acusado de ter incentivado e auxiliado Patrick Nogueira Gouveia durante o assassinato dos tios e dos dois primos, em agosto de 2016, Marvin chegou a ser absolvido pela Justiça paraibana, mas teve a decisão posteriormente anulada. Atualmente, ele responde ao processo em liberdade.

A investigação sobre a suposta participação de Marvin começou a partir das conversas mantidas com Patrick durante a execução dos crimes. Em 17 de agosto de 2016, Patrick matou os tios, Marcos Campos Nogueira e Janaína Américo, além dos dois filhos do casal, uma menina de 3 anos e um menino de 1 ano. Segundo a Polícia Civil da Paraíba, após os assassinatos, Patrick fotografou os corpos e enviou as imagens ao amigo.

As mensagens trocadas pelos dois foram registradas entre as 15h55 de 17 de agosto e as 6h57 de 18 de agosto, no horário da Espanha. O conteúdo foi incorporado tanto ao processo contra Patrick na Espanha quanto à ação que tramita na Justiça paraibana contra Marvin. Para a Polícia Civil, as conversas indicariam que Marvin tinha conhecimento do que ocorria e teria orientado o amigo sobre a ocultação dos corpos e a eliminação de possíveis vestígios.

Além das mensagens, a investigação considerou uma publicação feita por Marvin no Twitter no dia dos assassinatos, na qual escreveu: “Hoje aconteceu uma doideira que nunca poderei contar a ninguém”. A defesa, entretanto, contesta a interpretação dada às conversas e sustenta que a simples troca de mensagens não configura participação criminosa. O advogado Sheyner Asfóra afirma que Marvin não induziu, instigou ou auxiliou Patrick nos homicídios.

Prisões e reviravoltas no processo

Marvin foi preso em João Pessoa em 28 de outubro de 2016, durante a primeira fase das investigações. Ele foi encaminhado à Penitenciária de Segurança Máxima Doutor Romeu Gonçalves de Abrantes, o PB1, onde permaneceu separado dos demais detentos por questões de segurança. Em novembro daquele ano, deixou a prisão e passou a responder ao processo em liberdade provisória, sob medidas cautelares e monitoramento por tornozeleira eletrônica.

Em junho de 2019, voltou a ser preso preventivamente após a Justiça apontar que ele teria tentado romper o equipamento de monitoramento. A defesa negou a acusação e alegou que a tornozeleira apresentava desgaste decorrente do uso.

A principal reviravolta ocorreu em 2021, quando a Justiça da Paraíba determinou a absolvição sumária de Marvin no processo relacionado aos homicídios. O entendimento foi de que não havia elementos suficientes para caracterizar sua participação nos assassinatos. O Ministério Público da Paraíba recorreu e, em 2023, o Tribunal de Justiça da Paraíba decidiu reabrir o processo, apontando a existência de indícios de que Marvin teria incentivado Patrick.

Em março de 2026, o Superior Tribunal de Justiça negou recurso apresentado pela defesa, que pretendia levar a discussão ao Supremo Tribunal Federal. Segundo o STJ, a análise do pedido exigiria reexame de fatos e provas. Com isso, o processo permanece em tramitação na Justiça da Paraíba, sem julgamento definitivo.

Defesa e investigação apresentam versões opostas

A defesa sustenta que Marvin e Patrick eram amigos de colégio e que o paraibano desconhecia o comportamento violento que o amigo demonstraria durante os assassinatos. Segundo o advogado, Marvin ficou assustado e não tinha maturidade para compreender como deveria agir diante das mensagens recebidas.

O delegado Marcos Paulo, que participou da investigação da Polícia Civil da Paraíba, mantém entendimento contrário. Para ele, Marvin acompanhou os assassinatos em tempo real, poderia ter tentado impedir a continuidade da chacina, mas teria optado por incentivar Patrick e orientá-lo sobre a ocultação dos corpos e a eliminação de rastros.

O caso também apresenta uma divergência entre órgãos policiais. Em 2016, o delegado Gustavo Barros, responsável pelo inquérito da Polícia Federal relacionado a Patrick, afirmou que não havia elementos suficientes para apontar crime na conduta de Marvin. Segundo trechos do inquérito, não era possível determinar se ele sabia antecipadamente dos planos de Patrick ou se possuía interesse ou participação nos assassinatos.

Dez anos após a chacina, portanto, permanecem duas interpretações distintas sobre o papel de Marvin: para a acusação e parte dos investigadores, as conversas revelariam uma atuação relevante no incentivo e na ocultação do crime; para a defesa, o jovem apenas recebeu mensagens de um amigo em uma situação extrema e não teve participação nos homicídios. Enquanto a Justiça não apresentar uma decisão definitiva, Marvin continua respondendo ao processo em liberdade.

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