Bienal de São Paulo registra forte alta nas vendas de livros
Primeiro fim de semana da 28ª edição aponta crescimento de até 114% nas vendas de algumas editoras e reforça o interesse do público pela leitura
A 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo encerrou o primeiro fim de semana com um resultado expressivo para o mercado editorial: o crescimento nas vendas de livros. Balanços preliminares de algumas das principais editoras participantes apontam avanços de até 114% em relação ao mesmo período da edição de 2024, indicando que os visitantes não apenas comparecem ao evento, mas também demonstram disposição para adquirir novos títulos. A movimentação ocorreu apesar da chuva e das baixas temperaturas registradas na capital paulista.
Desde a abertura, na sexta-feira (4), a Bienal também apresentou forte procura por ingressos, com sessões esgotadas para sábado (5), domingo (6) e o feriado de 7 de setembro. Encontros com escritores, lançamentos, sessões de autógrafos, debates e atividades culturais contribuíram para aproximar o público dos livros e movimentar os estandes. Realizado no Distrito Anhembi, o evento ocupa 86 mil metros quadrados, área 28% superior à edição anterior, e reúne 269 expositores, centenas de autores brasileiros e internacionais e uma ampla programação cultural.
Entre os destaques comerciais está a Editora Rocco, que registrou vendas 114% superiores às dos dois primeiros dias da edição de 2024. A Intrínseca apresentou aumento de 88% no faturamento, enquanto a Companhia das Letras contabilizou 71% de crescimento nas vendas nos dois primeiros dias. O Grupo VR Editora registrou alta de 25% no faturamento, e a Editora Mostarda, crescimento de 58% nas vendas em comparação com 2024. Na Livraria Loyola, o sábado foi considerado o melhor de sua trajetória nas Bienais paulistanas, com aumento de 80% no faturamento e de 50% no volume de livros vendidos.
Os resultados também revelam a diversidade das preferências dos leitores. Entre os títulos mais procurados estão obras como Coração de Cristal Partido, de Ariani Castelo; Ignis Lacrimosa, de Helena Lopes; A Estranha na Cama, de Raphael Montes; A Hipótese do Amor, de Ali Hazelwood; Nada É por Acaso, de Lynn Painter; e Assistente do Vilão, de Hannah Nicole Maehrer. Segundo Pedro Mezette, fundador e CEO da Mostarda Editora, o desempenho evidencia ainda o interesse crescente por uma literatura infantil inclusiva e representativa, além da importância atribuída por famílias e educadores ao letramento racial e social.
Outro atrativo desta edição é o sistema inédito de cashback, que transforma parte ou a totalidade do valor do ingresso em créditos para a compra de livros. De segunda a quinta-feira, após as 17h, o público do horário pós-expediente recebe 100% do valor do ingresso em crédito, correspondente a R$ 30 para a entrada inteira e R$ 15 para a meia-entrada. Nos demais períodos, os ingressos variam entre R$ 20 e R$ 42, com cashback de R$ 15 para entradas inteiras e R$ 7,50 para meias. A iniciativa busca estimular diretamente a aquisição de livros e fortalecer a relação entre leitores, editoras e livrarias.
Considerada a maior edição da história da Bienal, a programação segue até 13 de setembro, com expectativa de receber mais de 700 mil visitantes e participação de cerca de 800 autores nacionais e internacionais ao longo dos dez dias de evento. A Espanha é a Convidada de Honra desta edição, sob o conceito “Confluências”, que propõe aproximar as culturas brasileira e espanhola por meio da literatura e de outras linguagens. Apresentada pelo Itaú Unibanco, a Bienal tem o Skeelo como patrocinador master e reúne outros patrocinadores e apoiadores, além do oferecimento da Prefeitura de São Paulo.
