MPPB suspende torcidas organizadas do Botafogo-PB após episódios de violência no Almeidão
Decisão atinge próximos jogos da Série C e abre investigação sobre possível influência de facções criminosas nas agremiações
Em resposta aos episódios de violência registrados durante a partida entre Botafogo-PB e Volta Redonda, válida pela Série C do Campeonato Brasileiro, o Núcleo do Desporto e Defesa do Torcedor (Nudetor), do Ministério Público da Paraíba (MPPB), determinou a suspensão imediata das torcidas organizadas “Jovem” e “Fúria” pelos próximos dois jogos do clube realizados no estado. A medida foi definida em reunião realizada nesta segunda-feira (22) e já valerá para os confrontos contra Brusque, em 30 de junho, e Confiança, em 12 de julho.
A decisão foi construída em consenso entre o promotor de Justiça coordenador do Nudetor, José Leonardo Clementino Pinto, e representantes da Polícia Militar da Paraíba. Segundo o Ministério Público, a punição foi motivada pela gravidade dos atos de vandalismo e confrontos registrados dentro e no entorno do Estádio Almeidão, em João Pessoa, durante o último fim de semana.
Além das ocorrências de violência, informações preliminares recebidas pelas autoridades apontam possível interferência de facções criminosas na estrutura das duas torcidas organizadas. Entre os indícios analisados estão supostas determinações para paralisação de atividades e mudanças nas diretorias das agremiações, fatos que passarão por aprofundamento investigativo.
Como condição para eventual retorno às arquibancadas, previsto inicialmente apenas para a terceira partida em casa — diante do Santa Cruz, em 7 de agosto —, as torcidas deverão cumprir uma série de exigências, incluindo novo cadastramento institucional, apresentação formal das novas diretorias e aprovação dos protocolos de segurança que serão avaliados pelos órgãos competentes.
Outra medida definida pelo Nudetor será a recomendação à Secretaria de Segurança e Defesa Social para instauração de inquérito destinado a apurar eventuais vínculos entre integrantes das organizadas e facções criminosas. Paralelamente, a SAF do Botafogo foi acionada para fornecer integralmente as imagens de reconhecimento facial e dos sistemas de monitoramento do estádio, com o objetivo de identificar os envolvidos nos atos registrados.
Durante o período de suspensão, integrantes das torcidas organizadas ficam proibidos de utilizar bandeiras, faixas, instrumentos musicais ou qualquer tipo de vestimenta que permita identificação das agremiações, tanto dentro quanto no entorno de arenas esportivas em toda a Paraíba.
Ao comentar a decisão, o promotor José Leonardo Clementino Pinto afirmou que o retorno das torcidas dependerá do cumprimento rigoroso das exigências estabelecidas e alertou que novas ocorrências poderão resultar em sanções permanentes. A medida está respaldada pelo Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre Ministério Público, forças de segurança, Federação Paraibana de Futebol e torcidas organizadas, com foco na promoção da cultura de paz e na responsabilização por episódios recorrentes de violência nos estádios.

