Pegada gigante de dinossauro no Sertão da Paraíba pode ser a maior já encontrada no Brasil
Descoberta em Sousa reforça importância paleontológica da Bacia do Rio do Peixe e amplia perspectivas científicas sobre espécies que viveram no Nordeste há 140 milhões de anos
Uma descoberta inédita colocou novamente o Sertão paraibano no centro das atenções da paleontologia brasileira. Pesquisadores ligados à Secretaria de Ciência e Tecnologia da Paraíba identificaram, na comunidade Floresta dos Borbas, zona rural de Sousa, uma pegada de dinossauro considerada a maior já encontrada no Brasil. O fóssil mede aproximadamente 60 centímetros de comprimento por 55 centímetros de largura e pode representar um dos mais importantes registros paleontológicos recentes do país.
Segundo os pesquisadores, a pegada pertence a um dinossauro carnívoro do grupo Abelisaurus, espécie que viveu durante o período Cretáceo, há cerca de 140 milhões de anos. Os cientistas estimam que o animal poderia alcançar até seis metros de comprimento. A identificação ocorreu durante expedições na Bacia do Rio do Peixe, região conhecida pela concentração de fósseis e por abrigar o famoso Vale dos Dinossauros, um dos principais sítios paleontológicos do Brasil.
O coordenador da expedição, Fabio Cortes, explicou que a análise foi realizada por meio de observações de campo, modelagens tridimensionais e comparações com outros registros fossilizados encontrados em diversas regiões brasileiras. Apesar da repercussão da descoberta, o estudo ainda passará por validação científica e deverá ser publicado futuramente em revista especializada.
De acordo com Cortes, uma extensa revisão bibliográfica permitiu comparar a pegada encontrada na Paraíba com materiais registrados nas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Norte do país. “Após revisarmos os materiais e os registros existentes, concluímos que nunca havia sido identificada no Brasil uma pegada tridáctila de terópode desse porte”, afirmou o pesquisador. A característica tridáctila corresponde às marcas deixadas pelos três dedos do animal.
A área onde o fóssil foi localizado já possuía histórico de descobertas paleontológicas. Entretanto, o diferencial da nova pegada está tanto nas dimensões quanto na possível relação com os abelissauros, grupo mais frequentemente associado a fósseis encontrados na Argentina e na Patagônia. Até então, predominavam na região registros de dinossauros carnívoros de menor porte, como os celurossauros.
Os pesquisadores também destacaram o uso de tecnologias digitais no processo de documentação do fóssil. A equipe utilizou técnicas de fotogrametria digital, método que reúne diversas imagens para produzir modelos tridimensionais de alta precisão. Os arquivos fazem parte de um acervo digital voltado à preservação e compartilhamento de dados científicos da Bacia do Rio do Peixe.
Segundo Fabio Cortes, o objetivo é ampliar o acesso às informações tanto para pesquisadores quanto para a população local. A pesquisa recebe apoio da Secretaria de Ciência e Tecnologia da Paraíba, responsável por projetos científicos desenvolvidos no Sertão paraibano, entre eles iniciativas ligadas ao radiotelescópio BINGO, voltado ao estudo da energia e da matéria escura no universo.
Diante da relevância da descoberta, os cientistas defendem medidas urgentes de preservação da área. O sítio paleontológico está localizado em um afloramento rochoso cortado por uma estrada rural, o que aumenta o risco de danos causados pelo tráfego de veículos, pessoas e animais. Em parceria com a Prefeitura de Sousa, os pesquisadores discutem a criação de um desvio na via e a instalação de sinalizações permanentes. A expectativa é que a descoberta fortaleça futuras iniciativas para transformar a Bacia do Rio do Peixe em uma reserva geopaleontológica de maior alcance científico e turístico.

