Espanha vence a Argentina na prorrogação e conquista o bicampeonato da Copa do Mundo
Gol de Ferran Torres no tempo extra garante o segundo título da Fúria, que encerra campanha histórica com recorde de invencibilidade e apenas um gol sofrido
A Espanha voltou ao topo do futebol mundial neste domingo (19). Em uma final marcada pelo equilíbrio e por grandes atuações defensivas, a seleção espanhola derrotou a Argentina por 1 a 0 na prorrogação, no MetLife Stadium, em East Rutherford, Nova Jersey (EUA), e conquistou o segundo título de sua história na Copa do Mundo. O gol decisivo foi marcado por Ferran Torres, aos 106 minutos de partida, repetindo o roteiro de 2010, quando Andrés Iniesta garantiu a taça diante da Holanda também no tempo extra.
A conquista coroou uma campanha consistente da equipe comandada por Luis de la Fuente. Após estrear com empate diante de Cabo Verde, a Espanha venceu todas as partidas seguintes, marcou 14 gols e sofreu apenas um durante toda a competição, na vitória sobre a Bélgica pelas quartas de final. O triunfo também consolidou um novo recorde mundial: a Fúria chegou a 38 partidas consecutivas sem derrota, ultrapassando a marca de 37 jogos da Itália entre 2018 e 2021.
A decisão foi dominada territorialmente pelos espanhóis, que criaram as melhores oportunidades desde os primeiros minutos. Lamine Yamal, Dani Olmo, Ferran Torres, Laporte e Nico Williams exigiram diversas intervenções de Emiliano "Dibu" Martínez, principal destaque da Argentina na partida. O goleiro realizou uma sequência de defesas decisivas e manteve a equipe sul-americana viva durante todo o tempo regulamentar.
A situação argentina se complicou nos acréscimos da etapa final, quando Enzo Fernández recebeu o segundo cartão amarelo após atingir Pau Cubarsí em uma dividida e acabou expulso. Com um jogador a mais, a Espanha intensificou a pressão durante a prorrogação, chegou a ter um gol anulado por falta na origem da jogada e seguiu controlando as ações ofensivas.
O gol do título saiu no início do segundo tempo da prorrogação. Pedro Porro cruzou para a área, Nico Williams escorou de cabeça para trás e Ferran Torres apareceu livre para finalizar com força, sem chances para Dibu Martínez. O atacante do Barcelona entrou para a história ao marcar o gol que garantiu o bicampeonato mundial espanhol, repetindo o protagonismo exercido por Iniesta na conquista de 2010.
Do lado argentino, a derrota encerrou uma campanha de sete vitórias consecutivas antes da decisão. A equipe de Lionel Scaloni chegou à final embalada por viradas dramáticas sobre Egito e Inglaterra no mata-mata, marcou 19 gols ao longo do torneio e sofreu apenas oito. Desta vez, porém, não conseguiu repetir o poder de reação diante de uma defesa espanhola praticamente intransponível.
Lionel Messi teve atuação discreta na despedida da competição. Bem marcado durante toda a partida, o camisa 10 participou pouco das ações ofensivas e não conseguiu exercer a influência que marcou sua campanha. Aos 39 anos, encerrou o Mundial como vice-artilheiro, com oito gols, dois a menos que Kylian Mbappé, que também assumiu a liderança isolada na artilharia histórica das Copas do Mundo, com 22 gols, contra 21 do argentino.
Mesmo com o vice-campeonato, Messi protagonizou um dos momentos mais emocionantes da noite. Durante a cerimônia de premiação, o capitão argentino recebeu a medalha de prata visivelmente abalado e não conteve as lágrimas. Em resposta, a torcida albiceleste presente no MetLife Stadium entoou seu nome em coro, prestando uma homenagem ao maior ídolo da geração campeã mundial de 2022.
A final também marcou a primeira edição da Copa do Mundo disputada com 48 seleções, totalizando 104 partidas realizadas em três países-sede: Estados Unidos, México e Canadá. O evento ainda contou com uma grande cerimônia antes da bola rolar, com participações do tenista Carlos Alcaraz, da atriz Honyeon e do ator Tom Cruise. No intervalo, apresentações de Madonna, Shakira, Justin Bieber e BTS estenderam a pausa para pouco mais de 27 minutos, em um formato inspirado nos tradicionais espetáculos do Super Bowl.
Com a conquista, a Espanha reafirma seu lugar entre as maiores potências do futebol mundial. Campeã da Eurocopa em 2024 e agora bicampeã mundial, a seleção inicia um novo ciclo cercada de expectativas para defender o título continental em 2028 e consolidar uma das gerações mais vitoriosas de sua história.
