Imagens de um carro alegórico da Acadêmicos de Niterói, escola do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro, provocaram intensa repercussão política após o desfile de domingo (15.fev.2026). O veículo, que homenageava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi registrado já desmontado nas imediações da Marquês de Sapucaí, com o boneco gigante do chefe do Executivo sem cabeça e com uma das mãos ausente.
As imagens foram divulgadas nesta terça-feira (17.fev.2026) pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que compartilhou o vídeo em seu perfil na rede X acompanhado da frase: “No final, o bem vencerá o mal”. Outros registros nas redes sociais mostram um momento posterior, em que a cabeça do boneco aparece separada da estrutura principal e deixada no meio da via.
Durante a dispersão, é comum que carros alegóricos sejam desmontados por razões logísticas. Devido ao tamanho e ao peso das estruturas, partes podem se soltar ou ser removidas durante o transporte, prática recorrente após os desfiles no Sambódromo.
Ainda assim, o desfile da escola, que apresentou o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, foi alvo de críticas contundentes da oposição ao governo federal. Parlamentares e lideranças políticas classificaram a apresentação como uma forma de propaganda eleitoral antecipada com viés político.
Entre os críticos estão o senador Flávio Bolsonaro, os deputados Gustavo Gayer e Kim Kataguiri, além do governador de Minas Gerais, Romeu Zema, que apontaram possível uso político do carnaval.
O Partido Novo anunciou que pedirá a inelegibilidade de Lula assim que houver o registro formal de sua candidatura à Presidência. A sigla informou que pretende ingressar com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) no Tribunal Superior Eleitoral, alegando abuso de poder político e econômico.
O Partido Liberal também declarou que adotará medidas judiciais. Em nota, o partido citou o uso de jingle associado a campanhas anteriores, referências a número de urna, símbolos ligados ao Partido dos Trabalhadores e alegorias que remeteriam a promessas de governo, além do fato de a escola ter recebido recursos públicos.
Todas as escolas do Grupo Especial do Rio, incluindo a Acadêmicos de Niterói, receberam R$ 1 milhão da Embratur, o que, segundo a oposição, reforçaria a suspeita de irregularidade. Para os críticos, o uso desses recursos em um desfile com conteúdo político poderia caracterizar propaganda antecipada.
Em resposta, o PT afirmou que a homenagem ao presidente foi uma manifestação artística autônoma da agremiação, sem participação, financiamento ou coordenação do partido ou do próprio chefe do Executivo, reforçando a separação entre a atuação política e a expressão cultural da escola de samba.
